quinta-feira, 7 de março de 2013

a diferent climate

The seventh day is like a palace in time with a kingdom for all. It is not a date but an atmosphere.
It is not a different state of consciousness but a different climate; it is as if the appearance of all things somehow changed. The primary awareness is one of our being within the Sabbath rather than of the Sabbath being within us. We may not know whether our understanding is correct, or whether our sentiments are noble, but the air of the day surrounds us like spring which spreads over the land without our aid or notice.

 Abraham Joshua Heschel, The Sabbath, FSG Classics, 2005, p. 21.  

A Dança dos Paroxismos - Jorge Brum do Canto (1929)

A lista de Chorin

quarta-feira, 6 de março de 2013

Lisboa, Crónica Anedótica, (1930). Leitão de Barros





Via Jorge Pelayo, Cinema de Vanguarda, Edições Gama, 1947, onde se pode ler: "LISBOA de Leitão de Barros, onde primeiro se afirma o vanguardismo português." (p.17)

uma procissão pelas ruas que chamavam um auto-da-fé

A Inquisição representava no reino um poder superior ao do próprio rei. Todos os bispos portugueses, nomeados pelos reis, saíam dos quadros do tribunal do Santo Ofício, o poder jurídico da Inquisição. (...) O combate às ideias protestantes e a perseguição aos judeus foram os principais motivos que levaram o rei a solicitar ao Papa a instauração do Santo Ofício em Portugal. Teve tribunais permanentes que funcionaram em Lisboa, Évora e Goa e outros provisórios em Coimbra, Lamego e Tomar. Como nas origens, o poder da Inquisição estava concentrado na ordem dos Dominicanos; a igreja do convento dos Dominicanos no Rossio, em Lisboa, era a referência visível desse poder, em cujas paredes eram pintado os retratos dos judeus condenados. O palácio da Inquisição ficava no antigo Paço dos Esaus, que fora residência de embaixadores (Vieira chamava-lhe a Fortaleza do Rossio); transformou-se em tribunal civil no tempo de D. João VI e o edifício foi demolido no final do século XIX, para dar lugar ao actual Teatro D. Maria.
Quando uma pessoa suspeita, depois de um processo, era condenada pelo tribunal do Santo Ofício à pena capital, a vítima era entregue (relaxada) ao pode civil que confirmava a execução; esta consistia em ser queimada viva em público depois de uma exibição de carácter expiatório sob a forma de uma procissão pelas ruas que chamavam um auto-da-fé. Montavam-se palanques de lenha à volta de pilhares aos quais eram amarrados os condenados e metia-se fogo à lenha; a morte era lenta  e os condenados sofriam os piores tormentos e vexames. Os principais visados pelo tribunal eram os cristãos-novos, continuamente denunciados por práticas judaizantes; como a condenação implicava a confiscação dos bens e estes detinham grandes fortunas, a acção predadora do tribunal tornou-se um negócio muito lucrativo. Em 1540 teve lugar em Portugal a primeira execução pelo fogo na Ribeira Velha.
Muitos viajantes estrangeiros que assistiram a autos-da-fé descreveram o espectáculo a que assistiram como um acto de crueldade e de brutalidade com o qual delirava uma população ignorante e embrutecida. Em França a Inquisição foi proscrita em 1560, quando era regente do reino Catarina de Médicis. O Marquês de Pombal (1699-1782), ministro ditatorial do rei D. José, reduziu consideravelmente a influência e o poder do Santo Ofício, não sem antes se servir dele para condenar como herege um velho jesuíta iluminado, o padre Malagrida, que fora missionário no Maranhão e acabou garroteado e queimado em público aos 72 anos, em 1761. Sete anos depois deste último auto-da-fé a discriminação baseada no sangue foi proscrita em Portugal, desaparecendo a distinção entre critãos-novos e cristãos velhos e treze anos depois a pena de morte era abolida em Portugal, o primeiro país do mundo que decretou esta medida. Quando o poder real afirmou a sua autoridade. (...)
A inquisição vigorou durante mais ou menos tempo em todos os países católicos à excepção da Inglaterra onde nunca existiu. Em França, o grande processo que lembra o famigerado tribunal foi o de santa Joana Darc em 1431. Durante os quase três séculos em que vigorou em Portugal, a Inquisição levou à fogueira cerca de 1500 pessoas e condenou a diversas penas mais de 25 000. Desconhece-se o número das que morreram nas prisões. Grandes vultos da cultura portuguesa foram vítimas do tribunal da inquisição como Damião de Góis, Garcia de Orta, o padre António Vieira, António José da Silva - o judeu, etc.

(António de Abreu Freire, Padre António Vieira - História de um homem corajoso contada às crianças e lembrada ao povo, Sá da Costa Editora, 2009, pp.109-111)

domingo, 3 de março de 2013

Quantos?


Tirando Auschwitz, quantos mais consegue nomear, localizar, caracterizar, recordar?
Sempre fora uma questão importante, a de saber quantos foram.
Em nenhum livro se encontrava resposta.
Um professor do Yad Vashem respondeu que ninguém saberia ao certo, mas mais de mil seriam de certeza.
Hoje, através de estudos rigorosos, ficamos a saber que o número estonteante é da ordem das dezenas de milhar:

  • 30,000 campos de trabalho escravo;
  • 1,150 guetos;
  • 980 campos de concentração;
  • 1000 campos de prisioneiros de guerra; 
  • 500 bordéis cheios de escravas sexuais;
  • e milhares de outros campos utilizados para a eutanásia de idosos e enfermos, para realizar abortos forçados, "germanizar" prisioneiros ou transportar as vítimas para centros de extermínio.
Ler o artigo de Eric Lichtblau aqui ou aqui .

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

There was no picture in the mind

Did the rabbis imagine that the Sabbath was an angel? A spiritual person? Religious thought cannot afford to associate closely with the powers of fantasy. Yet the metaphoric concept of the Sabbath held no danger of deification of the seventh day, of conceiving it to be an angel or a spiritual person. Nothing stands between God and man, not even a day.
The idea of the Sabbath as a queen or a bride did not represent a mental image, something that could be imagined.
There was no picture in the mind that corresponded to the metaphor. Nor was it ever cristalized as a definitive concept, from which logical consequences could be drawn, or raised to a dogma, an object of belief. The same Rabbi Hanina who celebrated the Sabbath as a queen preferred or another occasion to compare the Sabbath with a king.

 Abraham Joshua Heschel, The Sabbath, FSG Classics, 2005, p. 59. 

A Love supreme

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

José Pacheco Pereira: O NÚMERO QUE ESTÁ TATUADO NOS BRAÇOS DOS PORTUGUESES: O NÚMERO DO CONTRIBUINTE

" (...) Infelizmente, insisto, a indiferença cívica é o pano de fundo de muitos abusos e a sociedade e o Estado que estamos a construir são os ideais para uma sociedade totalitária.(...)" Continuar a ler

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Os mortos-vivos



Miklos Nyiszli, Auschwitz - A doctor´s Eyewitness Account, Arcade, pp. 27-28.                                  

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Archie Shepp - Call Me By My Rightful Name

O trabalho ou a política

Não raro deparamo-nos com a ideia de que, em política, o  que é preciso é sangue novo. Jovens que, cheios de energia (e de cafeína), se cheguem à frente dos partidos e da governação e que façam o país progredir.
Há um tanto de absurdo nessa ideia. Veja-se as luminárias que nos têm governado nos últimos anos (os Césares, os Sócrates, os Chernes, os Coelhos, enfim, os jotas...); muitas delas começaram na política e nunca fizeram outra coisa. Que sentido faz ter políticos que nunca passaram pelo mundo trabalho? Que nunca puseram 'as mãos na massa'?
O que torna a política uma arte nobre não é a energia excessiva da juventude, mas sim a experiência diversificada, a razoabilidade, o sentido de justiça, a busca constante do equilíbrio e, desejavelmente, alguma sabedoria prática. Tudo virtudes que, por natureza, escasseiam na juventude, com as quais não se nasce e que não são nada fáceis de obter.
O que os jovens que ambicionam a política precisam é de experiência de vida e isso só se obtém vivendo! E trabalhando e sofrendo...
Vivemos num sistema político que inverteu a lógica das coisas. Salvo raras e honrosas excepções (e outras nem tanto) reformam-se os políticos cedo demais (veja-se este caso) e enviam-se para o centro da decisão política jovens imberbes que só errando podem aprender (e mesmo assim é preciso querer aprender, o que nem sempre é o caso). Acontece que, em política, os erros  pagam-se caro. E quem paga são sempre os governados.
É também claro que a solução do problema não é fácil. Não podemos impedir os adultos de se candidatarem a lugares políticos (o que seria equivalente a diminuir as liberdades). Nem podemos recusar as escolhas que o povo, por maioria, faz (o que seria equivalente a recusar a democracia).
Mas aceder a um lugar só porque se pertence a um partido, ou por qualquer outra influência que não por mérito, já parece condenável. Para além disso, dá-se a situação paradoxal de muitos dos que nos poderiam bem governar não o fazem - ou porque não querem (a maioria dos casos) ou porque não chegam a ser escolhidos.
A mim agrada-me a ideia de de olhar para a política como um serviço que se presta à comunidade. Quase como uma coisa voluntária, algo que se faz por dever para com os outros e não por proveito próprio.
A expressão "carreira política" causa-me arrepios. Por isso é que às vezes me parece sensato defender que a política deveria estar limitada aos que já demonstraram, apenas pelo mérito do seu trabalho, ser dela merecedores.  A todos os outros compete-lhes fazer melhor.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Giovanni Cimabue (1251-1302), Saint Francis of Assisi



- E Cimabué que é? perguntou o cavaleiro -.
Filippo sorriu e respondeu:
- Tal como Adão foi o primeiro homem da terra assim Cimabué foi o primeiro pintor da Itália. E foi ele quem descobriu o talento do jovem Giotto.
(Sophia de Mello Breyner Andresen, O Cavaleiro da Dinamarca, Figueirinhas, p.31)