terça-feira, 11 de setembro de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
To Kill a Mockingbird (1962)
O filme tem muito do que me faz amar a América (que se calhar não existe): as cadeiras de balanço, os alpendres, os baloiços feitos de pneus, as ruas largas e as casas sem muros altos à volta, a justiça (e a injustiça), a infância perdida, o bom (e o mau), o medo (e a coragem) e o mistério.
A sugestão veio do Devaneios.
domingo, 22 de abril de 2012
Profecia autocumprida
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
10 anos passados sobre o 11 de Setembro - textos essenciais (2)
(Wright, Lawrence, A Torre do Desassossego - O percurso da Al-Qaeda até ao 11 de Setembro, tr.E.V.C., Casa das Letras, 2007)
domingo, 4 de setembro de 2011
10 anos passados sobre o 11 de Setembro - textos essenciais (1)
"No verão de 2006 voltei a viver no Reino Unido após dois anos e meio na América do Sul. Mantenho que não me tornei mais fascista nesse ínterim - aos pés de um Galtieri, digamos, ou ajoelhado perante um Pinochet. Mas em política é surpreendentemente fácil movermo-nos de um lado para o outro enquanto permanecemos no mesmo sítio; e o terreno médio, descobri eu, não está onde costumava estar. A extensão dessa mudança tornou-se-me dramaticamente nítida num direto televisivo, quando apareci no "Tempo de Perguntas" (o programa interativo de debate da BBC) e me inquiriram acerca do nosso progresso naquilo a que agora chamam a Longa Guerra.
Nos restantes 99,4 por cento dos territórios árabes, esse evento é conhecido como al-nakba: a catástrofe. E tal epíteto dificilmente exagera o caso. A "ímpia" União Soviética, após um revés comparável, poderia ter caído num perturbável autoescrutínio; mas que significa isso para os povos que acreditam sinceramente que uma divindade omnipotente está minuciosamente atenta aos seus desejos e desertos? Tendo suportado vários séculos de prosperidade, poder e alcance global, e eventual império por parte dos cristãos, as nações islâmicas foram vencidas por uma província que tem o tamanho de Nova Jérsia.(...)(Amis, Martin, O Segundo Avião, Quetzal, 2011, texto retirado do excerto publicado em exclusivo na revista Ler, nº 105, Setembro de 2011, pp. 43-45.)
terça-feira, 27 de abril de 2010
Treinos num cubo de ar gigante
"Quanto à área de treino - que foi uma proposta portuguesa que os Estados Unidos aceitaram, estamos a cooperar com a Força Aérea portuguesa e com o Ministério da Defesa para encontrar a melhor maneira de concretizar esse projecto." (destaque meu)
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Estados Unidos
1932-1993
AÇORES
Grandes navios verdes
eis que navegam
ancoradas, para sempre;
sob as águas
enormes raízes de lava
prendem-nas firmes
a meio do Atlântico
ao passado
Os turistas, pasmando
do convés
proclamam aos guinchos lindas
as encostas malhadas
De casinhas
(confettis) e
doces losangos
de chocolate (terra).
Maravilham-se com
os campos graciosos
e os socalcos
feitos à mão para conter
Os modestos frutos
das vinhas e das árvores
importadas pelos
portugueses:
paisagem rural
vindo à deriva
de há séculos;
a distância
O navio segue,
Outra vez a constante
música alimenta
um vazio à popa,
os Açores sumidos.
O vácuo atrás e o vácuo
à frente são o mesmo.
Poesia do Século XX (ant., tr., pre. e notas de Jorge de Sena, Fora do Texto, 1994, pp.454-455)
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
OBAMA

"Deixai que venham as consequências, isso não me importa. Nenhum homem pode sofrer em demasia, nem tombar demasiado depressa, se sofrer ou se tombar em defesa das liberdades e da Constituição do seu país".
Daniel Webster, in John F. Kennedy, Retratos de Coragem (Profiles in Courage), Esfera do Caos, p.109.
domingo, 3 de agosto de 2008
Cronica de uma longa viagem
Chegada a Boston: finalmente o solo americano. Ao primeiro paco, sinto-me inebriada por aquele cheiro a EUA (talvez conhecido de alguns). Ao segundo, vislumbro num ecra a quase caricatural face de Larry King que, como seria de esperar diante do calendario politico, parecia discutir qualquer pormenor da aguerrida campanha eleitoral que se vive por estes lados.
Sou muito bem recebida por um bem disposto guarda fronteirico (sera esta a sua profissao?) que muito rapidamente me pergunta o porque da minha viagem, com quem, onde e por quanto tempo vou ficar; pede todas as minhas impressoes digitais; regista a minha imagem atraves de uma maquina fotografica. Mas isto sao os pormenores: o interessante foi a conversa na qual comento que o sistema (de controlo froteirico) evoluiu muito desde que ca estive da ultima vez; ao que ele me responde "It's just smoking mirrors". O que interessa nao sera entao controlar efectivamente mas mostrar que se tem tudo controlado. Esclareceu ainda que ja alguem respondeu 'sim' a famosa 'pergunta terrorista'. Fiquei muito mais aliviada.
Ainda em Boston tive o prazer de ouvir ao vivo o sotaque local, semelhante ao de Woody Allen.
A caminho de Oakland, paragem em Denver. Viagem: 4:30h.
Conclui que os americanos (a UNITED) conseguem ser mais forretas que a SATA, pois que nao serviram qualquer alimento solido durante a longa viagem.
Denver - Oakland
Os americanos sao realmente um espanto!!! Um pais que produz coisas como um 'Keep your distance bug catcher!' merece imediatamente o meu mais profundo respeito.
No proximo capitulo, a minha percepcao acerca da campanha presidencial.
(P.S. Devido a constrangimentos informaticos, nao foi possivel apresentar os acentos e cedilhas contestados pela lingua portuguesa)
domingo, 6 de janeiro de 2008
Bonobos e o puritanismo americano
"Descobri que protestar acerca dos "Americanos" não é um passatempo europeu muito simpático, mas é impossível discutir os bonobos sem dizer alguma coisa sobre o puritanismo. Embora eu tenho vivido nos EUA durante duas décadas e tenha uma carinho genuíno pelo país e pelas suas gentes, nunca me acostumarei à relação entre o sexo e o pecado. A culpa e o sofrimento - já para não mencionar a hipocrisia - que essa associação cria ultrapassam-me. De bom grado evitaria este tópico se não fosse pela questão que persistentemente surge quando as pessoas ouvem pela primeira vez falar de bonobos - nomeadamente, porque é que esta espécie não
é mais amplamente conhecida. A resposta está, em parte, no facto de eles nos recordarem um aspecto de nós próprios que tentamos controlar a toda a força. Em vez de serem trabalhadores e castos os bonobos levam vidas promíscuas e hedonistas. Se eles são os nossos parentes mais próximos, o melhor é mantê-los afastados!Ora, eu conheço muitos americanos que têm uma mente aberta no que a questões sexuais diz respeito mas, infelismente, a sua sociedade não é aberta. Chamo a isto a primeira lei do Puritanismo: o todo é mais puritano do que as partes. (...) A segunda lei é que a repressão sexual é mais difícil de ver do lado de dentro do que do lado de fora. Os americanos estão habituados a viver num país onde as casas de banho se chamam «restrooms», onde nem mesmo os ginecologistas observam os seus pacientes nus, onde se pode ser presa por amamentar em público, onde as «pinups» aparecem em fatos de banho e onde os comediantes chocam as audiências, provocando risos convulsivos, mencionando apenas o nome de uma parte tabu do corpo. Eles não se dão conta o quanto tudo isto parece estranho quando visto do exteri0r. Uma excepção possível está nos americanos que viajaram para o estrangeiro e que poderão ter visitado uma casa de banho Japonesa onde é obrigatório retirar toda a roupa mesmo na presença do sexo oposto. P0dem ter visto a prostituição livre e aberta em Amesterdão e Hamburgo ou ter encontrado pessoas que, no que toca à vida sexual dos seus lideres, simplesmente encolhem os seus ombros."
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Uma data para recordar

este texto de Paul Berman (2004).
"Um amigo, deitando-se sobre o balcão, disse "afirmas que a guerra no Iraque é uma guerra antifascista. Até dizes que é uma guerra de esquerda; uma guerra de libertação. No entanto, na esquerda, poucas pessoas concordam contigo."
"Não é verdade!", disse eu. "Aparte de X, Y, Z cujos nomes ligados com a esquerda conheces bem. O que pensas de Adam Michnik da Polónia? E Vaclav Havel não conta? (...)"
Ele persistiu. "A maioria das pessoas não concorda contigo. Porque será?"
Por que é que as pessoas de esquerda não pensam como eu? Exceptuando aqueles que pensam como eu? Dou-te várias razões:
Porque Bush é um político repulsivo e as pessoas estão cegas pela repulsão que sentem (...). "[se fosse, Clinton, seria diferente? Hoje é um benfeitor... digo eu]."
Disse ele "E então As nações Unidas e a lei internacional não significam nada...?
Respondi, seria melhor combater o antifascismo com a aprovação da Onu. (...) Apoiar a guerra em nome do antifascismo, ou recusar a guerra em nome da lei internacional. Anti-fascismo sem a lei internacional; ou a lei internacional sem antifascismo. Uma escolha miserável, sem dúvida...
Eu disse, "Eu sou pelo derrube de tiranos, e desde quando é que derrubar o fascismo se tornou traição?".
"Não fazes ideia do que é fascismo." Disse eu. "Sempre pensei que a denúncia e o combate da extrema opressão eram as características principais de um coração de esquerda." Confundir sepulturas em massa, e uma população esmagada por trinta e cinco anos de Baath, com a corrupção e os favorecimentos de Bush é ridículo."(...)
(Tradução livre LFB)
quinta-feira, 17 de maio de 2007
A esquerda e a América
Bernard -Henri lévi (BHL), mimetizando a viajem que Alexis de Tocqueville fez em 1831/32 e que deu origem ao livro A democracia na América, fez aquilo que qualquer homem político deveria fazer: viajou pela América, observou, falou com os americanos e escreveu sobre a experiência. O resultado é o livro American Vertigo (que eu não li, baseio este texto apenas na entrevista que BHL deu ao Ípsilon de 4 de Maio).
BHL defende que todos os clichés que a esquerda europeia exibe à boca cheia sobre a América são falsos, ou então que as coisas são muitos mais complexas do que o anti-americanismo nos quer fazer crer. Vindas de um intelectual da esquerda francesa vale a pena reter algumas das suas muito discutíveis ideias:
1) catalogar a América de imperialista é uma ideia a rever (os imperialismo estiveram sempre na Europa, e foi contra eles que a nação americana se revoltou. O peso da tradição imperialista é uma coisa dos países europeus e não da América);
2) a América tem um sistema de saúde e de segurança social que é "uma mistura de público e privado";
3) a segregação racial nos estados do sul é, em grande parte, uma coisa do passado;
4) A América é materialista mas "é provavelmente o país mais religioso do mundo";
5) Guantánamo "é inadmissível (...) mas não é o Gulag", este significou "dezenas de milhões de mortos aquele algumas centenas de prisioneiros sem direitos, em alguns casos torturados";
6) a democracia liberal é boa para todos e é preciso derrubar os ditadores, o que faltou à América no Iraque foi "um consenso Internacional, aliados no terreno e um plano de reconstrução";
7) "O anti-americanismo é uma ideia [com origens] na extrema direita" europeia; é uma ideia fascista contra uma nação democrática; é grave que a esquerda actual o queira introduzir nos seus programas políticos porque transporta consigo os perigos do nacionalismo fascista baseado na "raça" e no "sangue";
8) A luta contra o terrorismo islâmico é uma luta política contra o fascismo de origem ideológica europeia e não uma luta religiosa (é simplista pensar que o terrorismo existe porque os terroristas, orientados por gente cheia de dinheiro, passam fome e são dominados pelo imperialismo americano).
(LFB)



