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quinta-feira, 30 de abril de 2015

"who knows?"

"This basic text establishes first of all the extreme distante between human beings and God, and the identification of humanity with animals (which squares well with Gen. 1 and 2). The breath of life vivifies animal and human being alike. But the word here is ruah, well-known as an ambiguous term. Qohelet says nothing here about spirituality, humana beings bearing God's image, etc. Therefore, unquestionably, we are animals. After all, this conclusion does not strike me as so out of the ordinary: since humanity does not behave like the image of God, it is nothing more than an animal.
Our identity with animals is indicated by our common lot: death. A human being may have ruah, but he can in no way claim to be God's equal. He knows nothing of an afterlife, and this indicates his distance from God. Human beings wanted and established this distance, pretending to be equal with God! One wonders why Christians have been so scandalized by scientific hypotesis, including Charles Darwin's, considering they had Qohelet. Human beings and animals are subject to the same fate, just like the wise person and the fool (2:14), the righteous and the wicked, and the pure and impure ...(9:2). Their lot is identical: death. But this as nothing to do with destiny or fate.
Since we cannot fail to come up against death, we must question our identity with animals, who have the same lot, as we have already seen. But we cannot offer a definitive answer; we can only ask: "who knows?" (3:21). You cannot maintain that your spirit will experience a different fate (rising upward) from the life-breath of an animal (which will go downward). We can state nothing in this regard. The unquestionable difference between human beings and animals does not allow us to infer an absolute qualitative difference. Qohelet obliges us to limit ourselves to the question: "who knows?" No revelation can simplify this issue for us. All we have is God's work, this blockage, and this insoluble question. "


Jaques Ellul, Reason for Being - a Meditation on Ecclesiastes, (tr.) Eerdmans Pub., 1990, 222-223.

one and the same fate

"So I decided, as regards men, to dissociate them [from] the divine beings and to face the fact that they are beasts. For in respect of the fate of man and the fate of beast, they have one and the same fate: as the one dies so dies the other, and both have the same lifebreath; man has no superiority over beast, since both amount to nothing. Both go to the same place; both came from dust and both return to dust. Who knows if a man's lifebreath does rise upward and if a beast's breath does sink down into the earth?"

 Ecclesiastes (JSP) 3: 17-21

segunda-feira, 27 de abril de 2015

O ponto de vista animal

"Crítica dos animais. Temo que os animais considerem o homem como um ser da sua espécie que perdeu o senso comum animal de forma extremamente perigosa, como o animal alucinado, o animal que ri, o animal que chora, o animal desditoso."

Nietzsche, A Gaia Ciência, Relógio D'Água, 1998, p.175.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Meeting John Berger (D: Jos de Putter)


Pentti Sammallahti














Por sugestão de John Berger, Why Look at Animals?, (Penguin books, 2009, p.8-9) onde se pode ler:

"Early this morning, when I was still in bed, a swallow flew in, circled the room, saw its error and flew out through the window past the plum trees to alight on the telephone wire. I relate this small incident because it seems to me to have something to do with Pentti Sammallahti's photographs. They too, like the swallow, are aberrant.
I have some of his photographs in the house now for two years. I often take them out of their folder to show to friends who pass. They usually gasp at first, and them peer closer, smiling. They look at the places shown for a longer than usual with a photograph. Perhaps they ask whether I know the photographer, Pentti Sammallahti, personally? Or they ask what part of Russia were they taken in? In what year? They never try to put their evident pleasure into words, for is a secret one. They simply look closer and remember. What?"

sábado, 26 de novembro de 2011

"Durante os piores momentos da seca da década de oitenta, o meu pai possuía cerca de trinta cabras. A origem do rebanho fora uma cabra com uma pata partida que vira no mercado. Comprara-a para lhe tratar do ferimento, mas, quando a pata ficou curada, achou que devia ter companhia e comprou um bode. Partindo daí, chegou às trinta, e não lhe trouxeram nada mais além de trabalho árduo e mágoa.
O período da seca foi terrível para quem viveu numa quinta. Vacas e ovelhas eram abatidas e enterradas em valas porque não havia nada com que as alimentar. (...) Quando o meu pai ficou sem outra forma de alimentar as cabras, cortou a erva na berma da estrada com uma gadanha (...)
Ocasionalmente, matava uma cabra para comer, mas matava-as sobretudo para alimentar os cães. Tinha muito pouco dinheiro para comprar carne e tanto ele como a mulher viviam das suas pensões de reforma, uma boa parte das quais era usada para pagar as contas dos veterinários. Quando a minha filha Eva soube que por vezes matava as cabras, sentiu-se incomodada. Sendo uma amante dos animais, gostava de visitar o meu pai porque havia quase sempre pintos, patos pequenos ou bezerros. Por vezes, um deles estaria abrigado na cozinha, doente e a precisar de calor. «Como consegue fazê-lo?», perguntou-me. Referia-se à forma como ele, entre todas as pessoas, podia ser capaz de tal acto quando se preocupava tanto com o seu bem-estar. Perguntei-lhe se conhecia ou ouvira falar de alguém que fosse tão bondoso para os animais como o seu avô. Respondeu-me que não.
Não pretendi que esta conversa com Eva respondesse às questões que lhe ocorressem sobre se era ou não justificado matar animais para comer. No entanto, esperei que aprendesse alguma coisas sobre o que significa matá-los. Quis saber como era possível que o avô pudesse preocupar-se tanto com os animais e ao mesmo tempo matá-los, matar os mesmos animais por que trabalhara tanto e pelos quais prejudicara a sua saúde. A sua primeira reacção foi pensar que o facto de matar animais mostrava que se importava menos com eles do que pensara. A pergunta que lhe fiz fê-la perceber que tal não abalava necessariamente a compaixão que sentia por eles.
Instintivamente, Eva soube que não se podia limitar a dizer que, se o meu pai matava animais, então, a sua compaixão por eles não poderia ser genuína. Afinal, de que forma aprenderemos a reconhecer a compaixão e os seus limites se não for através de uma reflexão sobre exemplos concretos? Creio que foi a comunhão do meu pai com o mundo natural, a piedade que sentia pelos males que lhe eram infligidos pelos seres humanos, que fez com que o seu exemplo marcasse Eva. Mas, para que a autoridade do exemplo fosse justificada, a sua compaixão teria de ser complementada por uma compreensão do que significa matar um animal.
Existem pessoas maravilhosas, pessoas cuja compaixão é tão profunda como era a do meu pai, que acham moralmente impossível matar um animal, sendo essa percepção inseparável da consciência do que significa matar um animal para comer. No entanto, o seu exemplo não poderá, em minha opinião, ser aplicável ao meu pai. Não conheci ninguém que apreciasse de igual forma a generosidade com que os animais se entregam a nós e que sentisse maior gratidão pela graça que conferem às nossas vidas. Por vezes, consideramos algo moralmente impossível, mas não pensamos que as pessoas que consideram a mesma coisa possível estejam enganadas ou que possuam morais deficientes. Até mesmo exemplos de autoridade inegável e pura podem atingir-nos de formas diversas. Portanto, acerca deste asunto, qualquer coisas que possa dizer será sempre subjectiva."

(Raimond Gaita, O cão do filósofo, (tr. R.C.) Casa das letras, 2007, pp. 217-218.)


Assim termina este livro sobre a nossa relação com os animais e sobre a forma como atribuímos "sentido" (meaning, no seguimento do Wittgenstein das Investigações Filosóficas) às relações complexas que estabelecemos com pessoas e animais. O autor defende que a moralidade da nossa relação com os animais é secundária em relação ao sentido que construímos no mundo. Sendo que este sentido varia muito com as experiências das pessoas, com as suas emoções e com aquilo que vai no seu coração, com a sua cultura. Por conseguinte, não pode haver uma resposta única à questão de como tratar os animais. Gaita coloca-se, no debate sobre a ética animal, numa posição extravagante, uma vez que é contra a retórica dos direitos que considera uma ilusão. Acredita que as palavras que usamos devem transportar a força da obrigação de uma certa acção, caso contrário, de nada valem. Defende que "quase tudo o que a vida tem de importante ocorre no reino do sentido" (p.115). Parte da nossa compreensão desse sentido é possibilitada pela literatura, por essa forma de usar a linguagem "na sua plenitude" (Gaita cita Cora Diamond, uma autora a que também é preciso dar atenção) onde forma e conteúdo são inseparáveis, mas não é por isso, defende também o autor, que o texto literário deixa de ter valor cognitivo.
Apesar de considerar o livro interessante e as suas ideias valiosas - sobretudo porque parte de uma concepção ética baseada na experiência, fundamentada na linguagem e e na literatura - foi algo penoso lê-lo e isto devido à fraca tradução que, parece-me (não consultei o original), torna muitas passagens do livro dificilmente compreensíveis (como se comprova pelo texto acima transcrito). É um daqueles livros de filosofia que é facilmente estragado por uma má tradução. Começando logo pelo título que em inglês é: The Philosopher's Dog: Friendships with Animals. Em português não aparece a 'amizade', escondendo-se assim  a tónica que o autor coloca na questão das relações para explicar a moralidade. É pena.

A melhor citação que o livro contém é a seguinte, retirada da autobiografia de Pablo Casals:

«Ao longo dos últimos oitenta anos, comecei cada dia da mesma forma. Não se trata de uma rotina mecânica, mas de algo essencial à minha vida quotidiana. Sento-me ao piano e toco dois prelúdios e fugas de Bach. Não consigo conceber não o fazer. É uma espécie de bênção da casa. Mas não é esse o único significado que lhe atribuo. É uma redescoberta de um mundo que tenho tido a felicidade de integrar. Preenche-me com uma percepção da maravilha da vida, com um sentimento de incrível assombro perante a condição humana...
Não houve um único dia na minha vida em que não tenha olhado com espanto renovado para o milagre da natureza» (p.145)

(LFB)

sábado, 25 de dezembro de 2010

NATAL



"A árvore-de-Natal é a mais espalhada de todas as instituições festivas e, para as crianças, a mais encantadora. O seu charme pitoresco e alegre fez com que rapidamente se espalhasse por toda a Europa sem ter raízes na tradição nacional, pois, como a maioria das pessoas sabe, é uma criação Alemã, e mesmo na Alemanha só no século dezanove atingiu a imensa popularidade que presentemente goza. (...)" (262-4)

"Muitas das crenças relacionadas com a Véspera de Natal (Christmas Eve) aparecem misturadas com formas de paganismo.
Há a ideia de que à meia-noite da Véspera de Natal os animais têm o poder de falar. Esta superstição existe em várias partes da Europa, e ninguém pode, inpunemente, ouvir as bestas falar. A ideia deu azo a alguns curiosos e tristes contos. Aqui fica um da Grã- Bretanha:
« Era uma vez uma mulher que deixava esfomeados o seu cão e o seu gato. À meia-noite da Véspera de Natal, ela ouviu o cão dizer ao gato: 'está na altura de perdermos a nossa dona; ela é uma avarenta das boas. Esta noite assaltantes virão para lhe levar todo o dinheiro e se ela chorar eles partirão a sua cabeça'. 'E será bem feito' - replicou o gato. A mulher aterrorizada levantou-se com a intenção de fugir para uma casa vizinha, enquanto saía de casa os assaltantes abriram a porta e quando ela gritou por ajuda eles partiram a sua cabeça.»" (233)

Miles, Clement A., Christmas Customs and Traditions, Dover Pub., 1976 (tr. LFB).

terça-feira, 8 de junho de 2010

Estados de espírito

"Na realidade, cobrir de erva toda a terra do mundo onde actualmente são cultivados cereais para alimentar ruminantes permitiria compensar, em larga medida, as emissões de combustível fóssil. Se, por exemplo, os 16 milhões de acres que agora produzem milho para alimentar vacas, nos EUA, fossem convertidos em pastagens bem geridas, isso bastaria para remover da atmosfera mais de 6 milhões de toneladas de carbono por ano, o equivalente a retirar 4 milhões de carros da estrada. Raramente pensamos no contributo da agricultura para o aquecimento global, mas um terço dos gases que o homem lançou para a atmosfera implicados no efeito de estufa podem ser atribuídos a esta actividade."

(Pollan, M., O Dilema do Omnívoro, (tr.), D. Quixote, 2009, p. 205)