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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Estados de espírito


"Qualquer um pode zangar-se, isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil."
Aristóteles

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

sábado, 3 de julho de 2010

Estados de espírito


"Ninguém escolheria viver com uma mentalidade de criança ao longo de toda a existência, mesmo podendo gozar de forma extrema com prazeres infantis; nem ninguém escolheria gozar prazeres que implicassem fazer algo de extremamente vergonhoso, mesmo que não houvesse perspectiva de sofrer consequências desagradáveis. Para além disso, fazemos um caso sério de muitas coisas, mesmo que elas não nos tragam nenhum prazer, como é o caso de ver, lembrar, saber ou possuir as excelências. Não faz diferença alguma se há prazeres que acompanham necessariamente algumas daquelas operações, porque nós as escolheríamos para nós, mesmo que elas não nos dessem prazer nenhum."

(Aristóteles, Ética a Nicómaco, 1174a2-8)

domingo, 16 de maio de 2010

Estados de espírito

"Demais, quando os homens desejam o que é bom para aquelas pessoas que amam, por causa delas próprias, fazem-no não a partir de um sentimento mas de acordo com uma disposição. Ao amarem um amigo estão a amar o seu próprio bem. Pois quando um homem bom se torna amigo de outro, ele torna-se um bem para o seu amigo. Então cada um ama o seu próprio bem e restitui aquilo que recebe desejando o bem do outro e dando-lhe prazer. É por isso que se diz que a amizade é igualdade, sobretudo aquela que existe entre homens de bem."
(Aristóteles, Ética a Nicómaco, 1157b32-1158a2)

domingo, 18 de abril de 2010

Estados de espírito


"Quanto mais dissimulados, mais injustos são os homens."

(Aristóteles, Ética a Nicómaco, livro VII 1149b 13)

domingo, 14 de março de 2010

Estados de espírito

"... é dificil em algumas circunstâncias decidir que opção se deve tomar e qual a que se deve preterir, tal como difícil é decidir o que tem de se suportar em vista do quê. Mas mais difícil ainda é mantermo-nos fiéis às decisões tomadas. Pois, na verdade, acontece o mais das vezes que o que se pode esperar é duvidoso e o que se é obrigado a fazer é vergonhoso."

(Aristóteles, Ética a Nicómaco, (tr. A.C.C.), Quetzal, 2009, p.66-1110a29-35)

domingo, 29 de outubro de 2006

Apontamentos de um preceptor (1)

Da leitura da "constituição de Hipodamus":

1) na polis aristotélica andar armado seria uma condição necessária de cidadania?

2) deverá a polis oferecer "honras" aos que descobrem algo vantajoso para ela?
Aristóteles recomenda prudência. Os perigos são a introdução de informadores e a alteração inusitada das leis da politeia. A alteração das leis por si não é má, as razões é que podem ser. Por comparação com a medicina, a física e as artes (skill/tecnhe) em geral, onde a mudança (de métodos e de técnicas) é benéfica, somos levados a pensar que, uma vez a "cidadania (statesmanship/politiké) deve ser vista como uma destas" (1268b38), o mesmo se lhe aplica e até mesmo as leis escritas não devem ser imutáveis. Também aqui, como nas ciências, seria impossível "escrever toda a organização da politeia" (os princípios são gerais, as acções dependem de circunstâncias particulares).
Mas, de outro ponto de vista, diz-nos Aristóteles, que é preciso pesar a relação custos/benefícios entre o hábito de se mudar constantemente as leis e o valor da própria lei. É melhor ser tolerante para com os erros dos políticos do que ficar habituado à mudança constante das leis, pela razão de que isso enfraquece o poder da lei. Há uma diferença significativa entre a alteração das artes e a alteração das leis, estas só pelo hábito garantem obediência. Aristóteles termina com interrogações: todas as leis podem ser mudadas? E em todos os tipos de politeia? E quem deve realizar a mudança?

3) comentários de Strauss (pp. 17-20); o erro de Hipodamus foi querer compreender todas as coisas à luz da simplicidade das tríades, não prestando atenção "ao carácter peculiar das coisas políticas", nem percebendo que elas formam uma classe em si.
O facto de, no início do capítulo, Aristóteles fazer - pela única vez em todo o livro - alusões a boatos acerca da vida de Hipodamus e de expor o ridículo de "querer ser um perito em todas as coisas naturais" teria o razoável propósito de anunciar o referido erro. Não pode pois Hipodamus ser o fundador da filosofia política porque nunca chegou a colocar a questão 'o que é a política?'. E a sua ridicularização revela que a "filosofia política é mais questionável do que a filosofia em si" pois o primeiro filósofo foi ridicularizado por uma escrava bárbara e o suposto primeiro filósofo político foi ridicularizado por todos os "homens livres".

domingo, 22 de outubro de 2006

Apontamentos de um preceptor

Como iniciar o estudo da Política de Aristóteles?

lendo:

"Segue-se que a polis pertence à classe dos objectos que existem por natureza e que o homem é, por natureza, um animal político (politikón zôon). (...) animal político num sentido que as abelhas, ou todos os outros animais que vivem reunidos, não são". tr. de 1253a1-3, 1253a7-8, Aristotle, The Politics, (Penguin Classics).

Começando pela oposição entre Phusis/natureza/essência e nomos/lei/contingência, descubra-se, seguindo a orientação de Leo Strauss, o modo como Aristóteles valoriza e justifica o domínio da política (do homem político por natureza) e dá continuidade à crepuscular ciência política de Hipodamus.


Mas não é a política o domínio do contingente e a natureza o domínio do essencial?

Como pode a política ser natural?

Comece-se pelo livro II, viii, designado "a constituição de Hippodamus", 1267b22 até 1269a28, que foi o primeiro a pensar sobre a "melhor ordem política". A ordem natural?

Depois, livro III, x e xi, 1281a 16, b18, para perceber o porquê de "a mais fundamental discussão da Política, incluir aquilo que é quase um diálogo entre um oligarca e um democrata" (Strauss, p. 21)