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domingo, 22 de janeiro de 2012

Hitchens on Sebald

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In a reckoning so ironic and fateful that even Faustus himself might have gasped at it, he and his wife were saved by the immolation of Dresden, on February 13 and 14, 1945, beginning just a few hours after they had been informed that all remaining Jewish spouses must report for deportation, which they both understood to be the end. The now overworked word “holocaust” means literally “destruction by fire”: The old Klemperer couple escaped holocaust in one sense by passing through it in another. On the smoldering morrow they took advantage of the utter havoc, removed Victor’s yellow star, and set off on foot toward survival and, ultimately, liberation.
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Can the survival of the Klemperers, weighed on a scale of ultimate judgment, balance or cancel the mass killing in Dresden? This is, without its being defined quite so strenuously, the question confronted by the author of On the Natural History of Destruction.
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Looking over Sebald’s evocative paragraphs, though, I find that I pause immediately at the terse way in which he says “war of annihilation.” I also wince a bit at the way he mourns the Luftwaffe crew slightly more than he regrets the “raid” on Norwich. I don’t do this, I trust, for any insular or tribal reason. In a letter left for his sons, the late Heinrich Böll told them that they would always be able to tell everything about another German by noticing whether this fellow citizen, in conversation, described April 1945 as “the defeat” or as “the liberation.”
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Hans Magnus Enzensberger, the most astute and mordant of the German critics, phrased it more dialectically when he argued that this very docility was a source of strength. “The mysterious energy of the Germans” could not be understood, he wrote, “if we refuse to realize that they have made a virtue of their deficiencies. Insensibility was the condition of their success.” The British liked to put this in an unworthily scornful tone. The Germans, one used to hear it said in my father’s circles, are either at your throat or at your feet … But Sebald’s well-chosen excerpts from Janet Flanner’s reportage, and from the Swedish writer Stig Dagerman, suggest a missing element of German stoicism. Dagerman noticed that he could easily be identified as a foreigner on a train passing through the leveled city of Hamburg because he was the only one staring out the window.
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do ensaio: "W. G. Sebald: Requiem for Germany", 2003.

sábado, 14 de julho de 2007

SEBALD, Austerlitz. De que fala este livro?

O livro de Sebald constituiu uma visão não mostrada da Shoah escrita por um autor alemão, ainda que tendo vivido os últimos trinta anos da sua vida no Reino Unido. Estarmos perante um alemão talvez não seja despiciendo em relação ao facto de a obra em análise falar da Shoah sem nunca a mencionar de forma aberta. Sebald não consegue falar directamente desse horror – na realidade julga ser impossível escrever sobre os campos de concentração – o que coloca os seus livros num campo de ambiguidade criticável; de algum modo o assunto dos seus livros é sempre o “lager” do qual ele nunca fala directamente. Alguns críticos mais ferozes dizem que o autor se limita a fazer rendilhados em torno de um tema demasiado sério para isso. Uma das formas que encontrei para dar conta dessa ambiguidade foi destacar no livro certas passagens que, se retiradas do seu contexto, parecem estar a falar, ou a descrever, aspectos do “lager” quando na realidade não estão, mas afinal estão! Aparte a riqueza literária da ambiguidade, o jogo parece também transportar o fantasma do relativismo dos acontecimentos em causa. Se é possível encontrar certas passagens no livro que literalmente descrevem o “lager” mas que no contexto do livro se aplicam a outros fenómenos, não poderemos nós concluir pela importância relativa desses acontecimentos?
Por exemplo:

“… rodopio encrespado de vapor que foi recobrindo gradualmente todo o chão de pedra, tornando-se cada vez mais denso e crescendo de forma visível até que apenas metade de nós próprios emergimos dele e em breve poderia até cortar-nos a respiração.” (p.136, Modern Library, p.128 edição portuguesa)
[1]

Esta passagem poderia ser lida como uma descrição do que se passou nas câmaras de gás quando as pequenas bolinhas verdes eram lançadas pelos alemães através de buracos existentes nos telhados e caíam no chão onde estavam as vítimas indefesas, mas, na realidade, trata-se da descrição da chegada de uma neblina.

Outra passagem:

“… um campo, de cor verde-veneno, mais atrás um complexo petroquímico já meio devorado pela ferrugem, de cujas torres e chaminés saem nuvens de fumo branco, como deve ter acontecido sem cessar e há muitos anos.” (186, 174)

Ou ainda o sonho no qual Austerlitz vê:

“… altas chaminés encimadas por penachos imóveis de fumo branco recortadas contra as cores doentias que raiavam o céu ocidental.” (203, 189)

Talvez até por causa do nevoeiro em que o tema está envolto, as primeiras imagens do livro nos forneçam algumas pistas acerca do labirinto para onde somos lançados ao iniciar a leitura. Falando na primeira pessoa, o narrador recorda uma das suas viagens a Antuérpia e o modo como uma dor de cabeça e pensamentos inquietantes o fizeram refugiar-se no zoo da cidade tendo, por fim, visitado o Nocturama (um parte do jardim ocupada por animais para quem o dia é noite e a noite é dia). Este conceito, por si só, com as suas ligações à escuridão, à ilusão, ao espectáculo que é viver e ver, bastaria para introduzir alguns dos temas a destacar. Mas paremos nas quatro primeiras imagens. Que estatuto têm as imagens (fotografias, desenhos, plantas, fotogramas) nos livros de Sebald? Serão apenas ilustrações? Muitas sê-lo-ão. Mas outras, como as quatro primeiras, parecem funcionar como um elemento textual – a imagem como texto, como narrativa não separada do texto, como não simplesmente ilustrativa – que permite libertar no leitor, em forma de sortilégio, outras ligações, significados, memórias, conhecimentos, interrogações, etc, que de outro modo não aconteceriam. Essas primeiras imagens, suscitadas pelo nocturama, fazem emergir a dificuldade de falar de certos temas precisamente porque eles estão presos no passado mas, simultaneamente, e ligando com os olhos grandes dos animais nocturnos devemos, para descobrir quem somos, perscrutar esse passado escuro:

“… olhos excepcionalmente grandes e esse olhar fixo, inquiridor que se encontra em determinados pintores e filósofos que, com recurso apenas à pura observação e ao puro pensamento, procuram penetrar as trevas que nos cercam .” (p.4-5, 6-7)
Repare-se como a semelhança entre os dois pares de olhos dos humanos (Wittgenstein – os olhos deste filósofo servem-me também para recordar a frase que tudo tem a ver com o conteúdo deste livro: “acerca daquilo que não se pode falar, tem que se ficar em silêncio") e os dois pares de olhos dos animais só é dada através do nosso olhar sobre as fotografias dos olhos deles e como a força e a riqueza da analogia acontece quando essa visão se liga com a sugestão de “penetrar as trevas que nos cercam”.
O tema é, pois, o humano do pós-holocausto que, como os viajantes involuntários dos comboios da Europa nazi – veja-se como o narrador chega de comboio à estação de Antuérpia e é “tomado de um mal-estar” – não sabe onde está, quem é ou para onde vai.



[1] A edição portuguesa serviu de texto comparativo para as traduções aqui apresentadas, embora contenha alguns erros de tradução e uma revisão apressada. É o caso da expressão alemã “das arsanische grauen” que parece ser uma invenção do autor e que, em inglês, aparece como “arsanical horror” (p. 63) enquanto em português surge, erradamente, como “terror de Ars” (sic, p.60) o que remeteria para a região de Ars e, hipoteticamente para o cura de Ars constituindo uma leitura demasiado forçada da expressão “arsanische” que parece ter uma mais evidente ligação com o termo “arsénico” e não com o termo “Ars”. Para além disso, as imagens são de má qualidade comparativamente com a edição inglesa e surgem muitas vezes demasiado afastadas da página em que o autor as sugere ou descreve.


(LFB)

sábado, 21 de abril de 2007

View of Antwerp with the Frozen Schelde by Lucas van Valckenborch

Adicionar legenda


Por sugestão de uma passagem do livro Austerlitz de W. G. Sebald (pp.13-14, Modern library), sobretudo relacionada com o pormenor da queda da senhora de vestido amarelo.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

The Isenheim Altarpiece, by Matthias GRÜNEWALD






Por sugestão de um dos contos de W. G. Sebald incluídos no livro: Os Emigrantes (Teorema).