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domingo, 29 de novembro de 2020

8 e 9. Um pequeno Bárbaro (I e II)

 "a sua voz perdia essa singular musicalidade." 

Onde Jazz? o teu ouvido - Programa de jazz e zumbidos outros, à volta do seu ouvido. 

Clube de Jazz RCA.

Estes programas foram transmitidos pela primeira vez a 26 de Setembro e a 10 de Outubro de 2019, respectivamente. 

Às quintas, de 15 em 15 dias, no ar às 20:00, no Rádio Clube de Angra.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

La Anunciación y la expulsión de Adán y Eva del jardín del Edén

por aqui

Por sugestão de Melville, Billy Budd, Relógio D'Água, 2017, p. 89 onde se pode ler:

"Ao vê-los, o Papa desse tempo admirou a sua estranha beleza, com faces claras e rosadas  e cabelo loiro, tão diferente do tipo italiano, e exclamou:  « Anjos, (querendo dizer Inglês, o derivado moderno). É anjos que lhes chamais? E chamais-lhes assim porque se parecem com anjos?» Se esta cena se tivesse passado mais tarde, podia pensar-se que o Papa tinha em mente os serafins de Fra Angélico colhendo maças nos jardins das Hespérides, alguns dos quais têm uma tez de botão de rosa, como as mais belas raparigas inglesas."

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A brancura de Moby Dick

"A brancura tem a capacidade de fazer um terror sem nome transbordar "arrastando-o até aos limites extremos". A questão é saber por que razão a brancura em si mesma (...) é tão terrível e assustadora. O assustador na brancura não é um qualquer significado ou conotação que possa ter. É isso sim, o facto de parecer tão cheia de significado e, apesar disso, precisamente em virtude de poder assumir uma tão radical gama de significados, não ser nada semelhante a um significado. É antes, explica ele, "uma vazio mudo repleto de significado".
Para percebermos esta ideia temos de pensar numa brancura como aquela que podemos obter na chamada "luz branca". Enquanto cor, a percepção da brancura é evocada pela luz que estimula, a um nível quase igual, todos os três tipos de células da retina sensíveis à luz. Assim, neste sentido, o branco é a cor que resulta de juntar todas as cores. Mas a luz branca é ela mesma invisível ou destituída de cor - não podemos ver a luz branca, mas é ela que nos permite ver tudo o resto; é, nas palavras de Melville, a "visível ausência da cor". (...)
Tentarmos olhar para a brancura em si, tentarmos concentrar-nos na luz branca que atinge "directamente a matéria", é como tentarmos ver as práticas de fundo tal como são em si mesmas. Mas nada podemos dizer sobre o fundo em sim mesmo; só podemos dizer como é quando toca uma túlipa ou uma rosa. Apenas se revela na medida em que nos permite ver qualquer outra coisa.
Este sentido da brancura como pano de fundo, o facto de estar presente na nossa experiência mas somente através daquilo que nos permite ver, aplica-se à baleia de forma espantosa. Vimos já que o cachalote não tem rosto. Acontece, além do mais, que até mesmo as suas costas não podem ser vistas com clareza. À semelhança das práticas de fundo de uma cultura, a cauda parece simultaneamente familiar e plena de significado, e ao mesmo tempo impossível de descrever."

Um mundo iluminado, de H. Dreyfus e S. D. Kelly (190-192)