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quinta-feira, 3 de março de 2016

Render a alma

Meursius
Por sugestão de Casanova, História da Minha Vida I, Divina Comédia Editores, 2013, p. 338-339, onde se pode ler:

"M. M. pega nas estampas de Mersius, onde havia belos combates amorosos entre mulheres, e, lançando-me um olhar malicioso, pergunta-me se quero que ela mande acender a lareira no quarto da alcova; percebendo a sua ideia, respondo-lhe que tal me daria prazer porque, como a cama era grande, poderíamos deitar-nos lá os três. Ela receou que eu pudesse suspeitar de que o amigo estivesse no esconderijo. Assim, põe-se a mesa diante da alcova e eis-me descansado quanto à suspeita de ser visto. Servem-nos e ceamos com vivíssimo apetite. M. M. ensinava C. C. a preparar o ponche. Com elas à minha frente, admirava o progresso da beleza de C. C."

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A vida é felicidade

"Afirmar que a vida é apenas uma combinação de infortúnios significa que a vida, ela mesma, é um infortúnio. Se é um infortúnio, então a morte é felicidade. Tais pessoas não escrevem de boa saúde, com as suas carteiras recheadas de dinheiro e contentamento nas suas almas por terem tido, nos seus braços, Cecílias e Marinas e com a certeza de que outras virão. Tais homens são uma raça de pessimistas (...) que só pode ter existido no meio de filósofos esfarrapados e de teólogos enganadores e mal humorados. Se o prazer existe e só o podemos  gozar  nesta vida, então a vida é felicidade. Há infortúnios, claro, como eu serei o primeiro a reconhecer. Mas a própria existência destes infortúnios mostra que a soma total da felicidade é maior."

Casanova, História da Minha vida, in, Darrin McMahon, The Pursuit of Hapiness, Penguin Books, 2007, pp. 231-232 (tr. LFB)