quarta-feira, 20 de julho de 2016
domingo, 17 de julho de 2016
sábado, 16 de julho de 2016
Cannonball Adderley Quintet - Jazz Casual
Nat Adderley, cornet;
Cannonball Adderley, alto sax;
Joe Zawinul, piano;
Sam Jones, acoustic double bass;
Louis Hayes, drums.
Cannonball Adderley, alto sax;
Joe Zawinul, piano;
Sam Jones, acoustic double bass;
Louis Hayes, drums.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
terça-feira, 12 de julho de 2016
segunda-feira, 4 de julho de 2016
quarta-feira, 29 de junho de 2016
segunda-feira, 27 de junho de 2016
domingo, 19 de junho de 2016
quarta-feira, 15 de junho de 2016
terça-feira, 14 de junho de 2016
Eric Dolphy - It's Magic
Eric Dolphy (Alto Saxophone, Bass Clarinet, Flute)
Booker Little (Trumpet)
Ron Carter (Bass)
Roy Haynes (Drums)
Jaki Byard (Piano)
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Stan Getz Quartet - Jazz Goes to College
Stan Getz - tenor sax
Gary Burton - vibraphone
Steve Swallow - bass
Roy Haynes - drums
terça-feira, 7 de junho de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
quarta-feira, 25 de maio de 2016
terça-feira, 24 de maio de 2016
domingo, 22 de maio de 2016
quarta-feira, 18 de maio de 2016
sábado, 14 de maio de 2016
Duplex: Gerry Mulligan Sextet - Prelude in E Minor / Eric Reed - Prelude In E Minor
Art Farmer (flugelhorn),
Bob Brookmeyer (valve-trombone),
Gerry Mulligan (baritone sax, arrange),
Jim Hall (guitar),
Bill Crow (bass),
Dave Bailey (drums)
Eric Reed - Piano
Dwayne Burno - Bass
Cecil Brooks III - Drums
Dwayne Burno - Bass
Cecil Brooks III - Drums
quinta-feira, 12 de maio de 2016
quarta-feira, 11 de maio de 2016
terça-feira, 10 de maio de 2016
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Charles Mingus - Goodbye Pork Pie Hat
Live at Montreux 1975
Charles Mingus [b]
Don Pullen [p]
George Adams [s]
Gerry Mulligan [bs]
Benny Bailey [t]
Danny Richmond [d]
terça-feira, 3 de maio de 2016
segunda-feira, 2 de maio de 2016
a man of high degree
'Minkus Finkus! I heard you was here, I knewed you'd come!'
'I been here awhile, Fats.'
'I know, I heard. Come on backstage and meet the folks. You losed a lot of weight too, huh, Mingus? Look at me - I made a record with Jacquet under the name of Slim Romero, how 'bout that! Bilie, here's Ming!'
'Mingus, honey! You on the show?'
'Just come to listen, Billie.'
'Give me some sugar, baby - mmmmm! Want to gig? Norman needs another bass man on the show, you know?'
'that would do me good, Billie.'
'How're you doing with your girls?'
That's all over. It was too much for a man of high degree.'
'Remember that song I wrote for you, Billie - "Eclipse"? You never did sing it.'
'Go home and get your bass and bring the song with you. You're working, 'cause I'm the star of the show and I say so.'
Charles Mingus, Beneath the Underdog, Canongate Books, 2011, p. 308-309.
sábado, 30 de abril de 2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
terça-feira, 26 de abril de 2016
segunda-feira, 25 de abril de 2016
quarta-feira, 20 de abril de 2016
terça-feira, 19 de abril de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
quinta-feira, 14 de abril de 2016
domingo, 10 de abril de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
sexta-feira, 8 de abril de 2016
viver uma vida boa e digna de ser vivida
"E hoje, enfraquecido, sem fôlego, com os músculos outrora firmes debilitados pelo cancro, dou por mim a pensar, cada vez mais, não no sobrenatural ou no espiritual, mas no que significa viver uma vida boa e digna de ser vivida, de modo que nos sintamos em paz connosco. Descubro que os meus pensamentos se voltam para o Sabat, o dia de repouso, o sétimo dia da semana, e talvez também o sétimo dia da nossa própria vida, quando sentimos que fizemos o nosso trabalho e que, com a consciência em paz, podemos descansar."
Oliver Sacks, Gratidão, Relógio D'Água, 2016, p.47.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
terça-feira, 5 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
domingo, 3 de abril de 2016
quinta-feira, 31 de março de 2016
Kenny Garrett - Equinox
Kenny Garrett - alto saxophone
Pat Metheny - guitar
Rodney Whitaker - bass
Brian Blade - drums
Oh, Kertész is dead
Oh, Kertész is dead
Eco is dead
Sacks is dead
Oh, show me in the face
something new about Kertész.
Eco is studing
Sacks is writing
Oh, show me the way
to the next dead man.
Yeah, show me in the face
now that we can no more
that I me still breathing.
Eco is dead
Sacks is dead
Oh, show me in the face
something new about Kertész.
Eco is studing
Sacks is writing
Oh, show me the way
to the next dead man.
Yeah, show me in the face
now that we can no more
that I me still breathing.
segunda-feira, 21 de março de 2016
domingo, 20 de março de 2016
sábado, 19 de março de 2016
quinta-feira, 17 de março de 2016
sábado, 12 de março de 2016
Estados de espírito
Oliver Sacks, Em movimento - Uma Vida, Relógio D'Água, 2015, p.320."Sou um contador de histórias, para o melhor e para o pior. Suspeito que a sensibilidade para histórias, para narrativas, é uma predisposição universal, nos seres humanos, tão universal como a capacidade linguística, a consciência de si próprio e a memória autobiográfica.O ato de escrever, quando corre bem, proporciona-me um prazer, uma alegria, que não tem comparação com mais nada. Conduz-me para outro lugar - independentemente do assunto -, onde me absorvo por inteiro e esqueço pensamento distrativos, cuidados, preocupações, e até o próprio passar das horas. Nesses raros mas divinais estados de espírito, posso escrever sem interrupções até deixar de conseguir ver a página. Só então me dou conta de que a noite caiu e de que estive o dia todo a escrever.Ao longo duma vida, escrevi milhões de palavras, mas o ato de escrever parece-me sempre tão novo, e tão divertido, como no dia em que comecei, há quase setenta anos."
quinta-feira, 10 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
Art Blakey & The Jazz Messengers - A Night In Tunisia
Drums: Art Blakey
Trumpet: Lee Morgan
Sax: Benny Golson
Piano: Bobby Timmons
Bass: Jymie Merritt
Trumpet: Lee Morgan
Sax: Benny Golson
Piano: Bobby Timmons
Bass: Jymie Merritt
segunda-feira, 7 de março de 2016
sábado, 5 de março de 2016
quinta-feira, 3 de março de 2016
Render a alma
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| Meursius |
"M. M. pega nas estampas de Mersius, onde havia belos combates amorosos entre mulheres, e, lançando-me um olhar malicioso, pergunta-me se quero que ela mande acender a lareira no quarto da alcova; percebendo a sua ideia, respondo-lhe que tal me daria prazer porque, como a cama era grande, poderíamos deitar-nos lá os três. Ela receou que eu pudesse suspeitar de que o amigo estivesse no esconderijo. Assim, põe-se a mesa diante da alcova e eis-me descansado quanto à suspeita de ser visto. Servem-nos e ceamos com vivíssimo apetite. M. M. ensinava C. C. a preparar o ponche. Com elas à minha frente, admirava o progresso da beleza de C. C."
O mundo dos meus olhos
Kraus foi ao médico que, olhando para uma chapa dos seus pulmões, lhe disse que não via nada de especial. Kraus sentiu uma nesga de alívio mas não deixou de registar como os médicos podem ser uma desilusão.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
gratificações subjectivas e ordem na consciência
"Existem duas palavras cujo significado reflecte a nossa atitude relativamente aos níveis de compromisso com actividades mentais ou físicas. Estes termos são amador e diletante. Actualmente, estes rótulos são um pouco depreciativos. Um amador ou um diletante é alguém que não está muito a par, uma pessoa que não se leva muito a sério ou cuja actuação não se conforma com as normas profissionais. Originalmente, contudo, «amador», do latim amare, «amar», referia-se a uma pessoa que gostava do que fazia. Do mesmo modo, um «diletante», do latim delectare, «deleitar-se», era alguém que desfrutava de uma actividade. Os significados primitivos destas palavras reportavam-se, portanto, mais à experiência do que à realização; descreviam as gratificações subjectivas que se obtinham por fazer coisas, e não a forma como elas estavam a ser realizadas. Nada ilustra melhor a nossa mudança de atitude relativamente à experiência como o destino destas duas palavras. Tempos houve em que era admirável ser-se poeta amador ou cientista diletante, porque isso significava que a qualidade de vida podia ser melhorada pela dedicação a essas actividades. Gradualmente, contudo, aumentou a ênfase dada ao valor do comportamento em desprestígio dos estados subjectivos; o que se admira é o sucesso, a realização, a qualidade da execução e não a qualidade da experiência. Consequentemente, tornou-se embaraçoso ser-se chamado diletante, embora ser um diletante signifique alcançar o que é mais importante - o desfrute que as acções possibilitam.
É verdade que o tipo de aprendizagem diletante fomentada aqui pode ser abalada mais facilmente do que a disciplina profissional, se quem aprende descurar o objectivo que o motiva. Leigos com interesses pessoais viram-se para a pseudociência para conseguir os seus intentos e, muitas vezes, os seus esforços quase não se distinguem dos amadores intrinsecamente motivados.
Mihaly Csikszentmihalyi, Fluir, (tr. M. A.), Relógio D´Água, 1999, pp. 192-4.O interesse na história das origens étnicas, por exemplo, pode ser facilmente pervertido por uma procura de provas de superioridade relativamente a outros grupos. O movimento nazi, na Alemanha, recorreu à antropologia, à história, à anatomia, à língua, à biologia e à filosofia para forjar a teoria da supremacia da raça ariana. Académicos profissionais também foram apanhados por este projecto duvidoso apesar de ter sido inspirado por amadores e de ser regido por regras que pertenciam à política e não à ciência.(...)A má conotação que os termos amador e diletante adquiriram ao longo dos anos deve-se, em larga medida, ao esbatimento da distinção entre objectivos intrínsecos e extrínsecos. Um amador que julga saber tanto como um profissional está provavelmente errado e pretende ludibriar-nos. O objectivo de um cientista amador não é competir com profissionais no seu terreno, mas utilizar uma disciplina simbólica para alargar as suas faculdades mentais e criar ordem na consciência. A este nível, o conhecimento amador tem o seu lugar e pode mesmo ser mais eficaz do que o seu parceiro profissional. Mas, logo que o amador perde de vista este objectivo e utiliza o conhecimento principalmente para alimentar o ego ou obter benefícios materiais, torna-se numa caricatura do académico. Sem formação na disciplina do cepticismo e da crítica recíproca subjacentes ao método científico, as pessoas comuns que se aventuram nos domínios do conhecimento com objectivos preconceituosos podem tornar-se mais cruéis e mais ostensivamente indiferentes à verdade do que o académico mais corrupto."
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Homem máquina
"Uns quilómetros adiante, perguntou-me de repente: "Já ouviste falar no processo de Bessemer?""Já", disse eu. "Demo-lo em química, na escola"."Alguma vez ouviste falar do John Henry, o preto de aço? Pois bem, morava aqui mesmo. Quando foi inventada uma máquina para cravar estacas de aço num leito de rio, eles dissaram que o trabalho humano nunca poderia competir com a máquina. Os pretos fizeram uma aposta, e trouxeram o mais forte dentre eles: o John Henry. Diz-se que os bíceps dele tinham mais de cinquenta centímetros de diâmetro. Pegou em duas marretas, uma em cada mão, e cravou cem estacas mais depressa do que a máquina. Quando chegou ao fim, deitou-se no chão e morreu. Nem mais! Isto é a região do aço."
Oliver Sacks, Em movimento - Uma Vida, Relógio D'Água, 2015, p.76.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
O mundo dos meus olhos.
Quem sou eu para avaliar a arte? Mas a verdade é que ser arte é pôr-se a jeito. Quando a arte é boa sou eu que saio destrochado. Quando a arte é má, é ela que sai destroçada.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
continuar a moldar
«Há momentos em que chego a pensar que chegou a hora, por exemplo num daqueles dias em que me sinto em baixo», disse ele. «Às vezes, uma pessoa está farta de tudo, percebe? Eu moía o juízo à minha Shelley. Dizia-lhe: "sabes que em África, quando uma pessoa envelhece e deixa de produzir, o grupo leva-a para a selva e deixa-a lá para ser consumida pelos animais selvagens." Ela achava que eu era doido. "Não", dizia eu. "Já não produzo nada, só estou a custar dinheiro ao governo." De vez em quando, dá-me para isso. Mas depois penso: Ei, a vida é o que é. Deixa-te ir. Se te querem por cá que mal tem?»
(...) Estávamos a falar sobre a história da vida dele há quase duas horas, quando me apercebi de que, pela primeira vez na vida, não tinha medo de chegar à fase em em que ele estava. O Lou tinha noventa e quatro anos e realmente não havia nada de cativante nisso. Os dentes pareciam pedra caídas. Doíam-lhe todas as articulações. Perdera um filho e a mulher já não conseguia andar sem o andarilho (...). Mas também era evidente que conseguia viver de uma maneira que o fazia sentir que ainda tinha um lugar no mundo. As pessoas ainda o queriam por perto. E isso levantava a possibilidade de o mesmo ser verdade, um dia, para qualquer um de nós.
O pavor da doença e da velhice não é só o pavor das perdas que nos vemos obrigados a suportar; é também o pavor do isolamento. À medida que as pessoas se vão apercebendo da finitude da sua vida, deixam de pedir muito. Não procuram mais riquezas. Não procuram mais poder. Pedem apenas que as deixem, dentro do possível, continuar a moldar a história da sua vida no mundo: a fazer escolhas e a manter relações com os outros segundo as suas próprias prioridades. Na sociedade moderna, temos vindo a partir do princípio de que a debilidade e a dependência excluem esse tipo de autonomia. O que aprendi com o Lou (...) é que, sim, é possível.
«Não me preocupo com o futuro», disse o Lou. «Os japoneses têm a palavra karma. Significa: se é para acontecer, não há nada que eu possa fazer para o impedir. Sei que o tempo é limitado e daí? Tive uma boa vida.»
Atul Gawande, Ser Mortal, Lua de Papel, 2014, p. 148-149
pensamentos e preocupações
Morrer costumava fazer-se acompanhar por um conjunto predefinido de costumes. Guias sobre a ars moriendi, a arte de morrer, eram extraordinariamente populares; uma versão medieval publicada em latim, em 1415, foi reeditada em mais de uma centena de edições em toda a Europa. As pessoas achavam que a morte devia ser aceite estoicamente, sem medo ou autocompaixão ou esperança de algo mais que não o perdão de Deus. Refirmar a fé, arrepender-se dos seus pecados e desapegar-se dos seus bens materiais e desejos mundanos eram etapas cruciais, e os guias ofereciam às famílias preces e perguntas para fazerem aos moribundos, de modo a colocá-los no estado de espírito certo, nas suas derradeiras horas de vida. As últimas palavras revestiam-se de uma reverência especial.
Hoje em dia, uma doença catastrófica e rápida é que é a exceção. Para a maior parte das pessoas, a morte só chega depois de uma longa luta médica com uma doença que, no fim, é imbatível (...). Em todos os casos, a morte é certa, mas o momento em que vai chegar, não. Por isso, toda a gente se debate com esta incerteza: como, e quando, aceitar que a batalha está perdida? Quanto a últimas palavras, parece que praticamente já nem existe tal coisa. A tecnologia pode sustentar os nossos orgãos até estarmos muito para lá de um estado de consciência e coerência. Além disso, como é que podemos tratar dos pensamentos e preocupações dos mortos, quando a Medicina fez com que se tornasse quase impossível ter a certeza sobre quem é que está a morrer? Estará uma pessoa com um cancro terminal, demência ou insuficência cardíaca incurável efetivamente à beira da morte?
Atul Gawande, Ser Mortal, Lua de Papel, 2014, p. 158
Miles Davis Quintet
Trumpet: Miles Davis
Saxophone: Wayne Shorter
Piano: Herbie Hancock
Bass: Ron Carter
Drums: Tony Williams
Saxophone: Wayne Shorter
Piano: Herbie Hancock
Bass: Ron Carter
Drums: Tony Williams
dois eus diferentes
"Achamos que uma dor de longa duração é pior do que uma dor de curta duração e que ter um nível médio de dor maior é pior do que ter um nível médio de dor menor. Mas não foi nada disso que os doentes disseram. As suas classificações finais ignoraram em grande parte a duração da dor. Em vez disso, as classificações regeram-se mais por um fenómeno a que Kahneman chamou « a regra do fico-fim»: a média da dor sentida em apenas dois momentos: o pior momento em toda a intervenção e o final. (...)
As pessoas parecem ter dois eus diferentes: um que passa pelas experiências e vivencia cada instante, e outro que recorda as experiências e atribui quase todo o peso do juízo de valor a dois meros pontos no tempo, o pior e o último. O eu que recorda parece ater-se à regra pico-fim, mesmo quando o final é uma anomalia. Bastou uns minutos sem dor no fimda intervenção médica para reduzir drasticamente as classificações globais de dor dos doentes, inclusive tendo sentido mais de meia hora intensa de dor. «Não custou tanto», disseram depois. Um final penoso também fez disparar de maneira igualmente radical as classificações de dor. (...) A investigação demonstrou também que o fenómeno se aplica exatamente da mesma maneira à forma como as pessoas classificam as experiências agradáveis. Toda a gente conhece a experiência de ver uma prova desportiva em que uma equipa joga lindamente durante o jogo quase todo e depois, no fim, estraga tudo. Sentimos que o final dá cabo da experiência toda. Existe, todavia, uma contradição na origem desse valor. O eu que vive as coisas desfrutou de horas de prazer e de apenas um momento de desprazer, mas o eu que recorda não vê prazer nenhum.
Se o eu que recorda e o eu que vive podem ter opiniões radicalmente diferentes sobre a mesma experiência, então a pergunta difícil que se levanta é a qual dos dois devemos dar ouvidos."
Atul Gawande, Ser Mortal, Lua de Papel, 2014, p.233
obtusos e negligentes
"A sociedade tecnológica esqueceu aquilo a que os estudiosos chamam o «papel do moribundo» e a sua importância para as pessoas à medida que a vida se aproxima do fim. As pessoas à beira da morte querem partilhar recordações, transmitir conhecimentos e conselhos, firmar relações, definir o seu legado, fazer as pazes com Deus e certificar-se de que os entes queridos que deixam para trás ficarão bem. Querem terminar a sua história nos seus próprios termos. Ese papel, segundo os investigadores, é um dos mais importantes da vida, quer para quem está a morrer, quer para quem cá fica. E se assim é, a forma como negamos às pessoas esse papel, por sermos obtusos e negligentes, é motivo de vergonha para todo o sempre. Vezes sem conta, nós, profissionais de saúde, inflingimos feridas profundas no fim da vida das pessoas e depois ficamos a ver, sem termos consciência do mal que fizemos."
Atul Gawande, Ser Mortal, Lua de Papel, 2014, p.241
domingo, 17 de janeiro de 2016
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
«que maravilha»
"A estupidez tem qualquer coisa de fascinante. Sou uma pessoa que não conhece exactamente a sua natureza. Por vezes sou sensível como uma donzela. É um aborrecimento ouvir falar da paisagem e de outras coisas do género. As pessoas que têm uma certa cultura deveriam perceber que é néscio exclamar «que maravilha» diante de uma obra de arte. Tecer louvores revela falta de imaginação. O enlevo pode roçar por vezes a estupidez! Uma pessoa feliz pode tornar-se facilmente impopular. Não chega a ser falta de vergonha fazer assim alarde da sua boa disposição, permitir-se ter sempre os olhos a brilhar de felicidade? Sim, porque a todo o momento essa chama de felicidade pode extinguir-se. Deve-se ser comedido nas manifestações de contentamento. Prefiro ser prestável quando ninguém espera isso de mim, não gosto de o ser quando as pessoas crêem que o faço de bom grado."
Robert Walser, A Rosa, Relógio D'Água, 2004, pp.98-99.
sábado, 26 de dezembro de 2015
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
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