A justiça. A lei. As preces. Os símbolos.
A mulher. O amor e a traição.
O filme está a terminar. O que é que ela quer?
A sugestão do filme vem do devaneios.
(LFB)
"Ainda que não seja mencionado, Johann Gottlieb Fichte era, de facto, o pensador mais próximo de Hitler e do nacional-socialismo, tanto em termos de tom, como em termos de espírito e de brio. Ao contrário de Schopenhauer, homem dado à interioridade e herdeiro da tradição livresca, ou do débil e prostrado Nietzsche, Fichte era impertinente e desafiador. Em 1808, e numa Berlim ocupada pelas tropas francesas, Fichte apelou à sublevação dos Alemães contra a opressão estrangeira nos seus memoráveis Discursos à Nação Alemã. Na véspera da batalha decisiva contra Napoleão, em Leipzig, Fichte apareceu a liderar os seus alunos, armado e pronto a lutar. Consta que era um orador hipnótico, capaz de deixar as audiências "presas" às suas palavras. "À acção! À acção! À acção!", terá ele apelado um dia- "Que é por isso que estamos aqui."
Não cabe apresentar aqui uma
argumentação completa sobre a questão de saber se é correcto, ou não, o uso de
sementes transgénicas na agricultura dita convencional1.
Como ponto prévio gostava só de vincar que qualquer discussão séria sobre essa
questão deverá ter em conta os pontos de vista dos vários intervenientes: o
ponto de vista da biotecnologia e da sua ligação com as grandes empresas – da
investigação sobre novas sementes ao estudo de implementação de novas culturas
e à venda de sementes; o ponto de vista do agricultor que quer produzir muito,
bom e rápido; o ponto de vista do consumidor que quer comprar alimentos bons,
baratos e que ofereçam garantias de qualidade; e, por fim, o ponto de vista do
bem comum, ou do Estado, que é o regulador e o garante da protecção de todas as
partes envolvidas. As considerações que a seguir apresento dirigem-se sobretudo
àqueles que, como eu, discutem a questão do ponto de vista do consumidor. A
minha posição tende a ser moderada. Nem conservadora ao ponto de desejar
proibir todos os transgénicos. Nem liberal ao ponto de querer permitir todo o
tipo de cultivo sem qualquer tipo de controlo.
"No serão de um Outono próximo do fim, um estudante de Paris sentou-se na minha cozinha, em Berlim, e perguntou, a propósito de nada, onde é que estava quando ouvi as notícias. Este estudante podia ter vindo de Boston, de Santiago ou de Zagreb. Onde quer que estivéssemos, quem quer que sejamos, foi um momento que não esquecemos e que devemos recordar repetidamente - tivemos de ver o World Trade Center cair, uma e outra vez, na televisão, até nos sentirmos suficientemente enjoados para termos a certeza de que era real. Isto é a globalização. Será também Lisboa? [ a autora refere-se ao terramoto de 1755]
“A piedade e a brutalidade podem coexistir, no mesmo indivíduo e no mesmo momento, contra toda a lógica; e, de resto, a própria piedade escapa à lógica. Não existe proporcionalidade entre a piedade que sentimos e a extensão da dor pela qual é suscitada a piedade; uma única Anna Frank desperta mais comoção que as miríades que sofreram como ela, mas cuja imagem ficou na sombra. É necessário talvez que assim seja; se devêssemos e pudéssemos passar pelos sofrimentos de todos, não
poderíamos viver. Talvez só aos santos seja concedido o dom da piedade para com os muitos; aos monatos, aos da Equipa
Especial e a todos nós, só resta, no melhor dos casos, a instável piedade dirigida ao individual, ao Mitmensch, ao co-homem; ao ser humano de carne e sangue que está à nossa frente, ao alcance dos nossos sentidos providencialmente míopes.”
“Num dos primeiros dias de Agosto
– enquanto fazia uma pausa do trabalho e fui dar uma volta pela rua Gesia - vi
Janusz Korczak com os seus órfãos a sair do gueto. Haviam ordenado, para aquela
manhã, a evacuação do orfanato que dirigia. Era suposto as crianças terem sido levadas sozinhas. Ele teve a
oportunidade de se salvar e foi com dificuldade que convenceu os alemães a
levá-lo também. Tinha passado muitos anos da sua
vida com as crianças e agora, nessa última viagem, não poderia deixá-las
sozinhas. Queria facilitar-lhes as coisas. Disse aos órfãos que iam num
passeio ao campo e que, por isso, deveriam estar alegres. Finalmente poderiam trocar
os sufocantes muros da cidade por prados de flores, riachos onde poderiam
banhar-se e bosques repletos de bagas e cogumelos. Disse-lhes que vestissem as suas melhores roupas e assim saíram para o
pátio, dois a dois, aprimorados e felizes.
Janusz
Korczak defendeu a necessidade de uma declaração dos direitos das crianças
muito antes de esse documento ser concebido pela Convenção de Genebra (1924) ou
pela Assembleia Geral das Nações Unidas (1959). A declaração que ele imaginou –
não como um fundamento para a boa vontade mas como uma exigência para a acção –
ficou, aquando da sua morte, incompleta. Recolhi das suas principais obras – Como Amar Uma Criança e O Direito Da Criança Ao Respeito – a
seguinte lista com os direitos que Korczak considerava essenciais:
"No verão de 2006 voltei a viver no Reino Unido após dois anos e meio na América do Sul. Mantenho que não me tornei mais fascista nesse ínterim - aos pés de um Galtieri, digamos, ou ajoelhado perante um Pinochet. Mas em política é surpreendentemente fácil movermo-nos de um lado para o outro enquanto permanecemos no mesmo sítio; e o terreno médio, descobri eu, não está onde costumava estar. A extensão dessa mudança tornou-se-me dramaticamente nítida num direto televisivo, quando apareci no "Tempo de Perguntas" (o programa interativo de debate da BBC) e me inquiriram acerca do nosso progresso naquilo a que agora chamam a Longa Guerra.
Nos restantes 99,4 por cento dos territórios árabes, esse evento é conhecido como al-nakba: a catástrofe. E tal epíteto dificilmente exagera o caso. A "ímpia" União Soviética, após um revés comparável, poderia ter caído num perturbável autoescrutínio; mas que significa isso para os povos que acreditam sinceramente que uma divindade omnipotente está minuciosamente atenta aos seus desejos e desertos? Tendo suportado vários séculos de prosperidade, poder e alcance global, e eventual império por parte dos cristãos, as nações islâmicas foram vencidas por uma província que tem o tamanho de Nova Jérsia.(...)
Quando reflectimos sobre o pensamento ecológico - quer seja nas políticas ou nas acções ambientalistas - encontramos contradições de diversa ordem. Gostamos de alguns animais e comemos outros, essa é a contradição mais óbvia. Mas há outras: somos todos ambientalistas/ecologistas mas não fazemos nada, ou fazemos muito pouco, para alterar a criação intensiva de animais (no mundo civilizado são 450 biliões de animais todos os anos, alimentados com rações geneticamente modificadas e com antibióticos à mistura, com mobilidade restrita e criados em ambientes doentios). Somos contra os transgénicos mas alimentamos os nossos animais com rações transgénicas (da próxima vez que comprar rações feitas nos Açores verifique o rótulo). Gostamos de gatos, mas quando são mortos nas estradas nada fazemos - nas estradas açorianas não há um único sinal de informação sobre o perigo de atropelamento de animais, domésticos ou não, que atravessam as estradas. Como ecologistas, defendemos os touros, mas comemos as vacas. Temos campanhas públicas anuais de protecção do cagarro, mas permitimos pacificamente a morte de ouriços-cacheiros nas estradas. Alguém sabe qual desses animais é o mais desprotegido e ameaçado? O ouriço não parece estar em extinção, mas está muito mais presente na nossa vida, enquanto animal morto, do que o cagarro. Olhemos um pouco para o caso do ouriço-cacheiro[1]. Apesar de, na Grã-Bretanha, estar entre os animais de jardim preferidos, a sua população está a cair abruptamente. Decresceu para metade nos últimos 15 anos e, a continuar assim, em 2030 não haverá ouriços-cacheiros ingleses. Apenas 1 em cada 100 chega aos cinco anos, e 15000 são esmagados todos os anos nas estradas britânicas. Mesmo os bem-intencionados podem contribuir para a morte dos ouriços se, quando encontram um no seu pátio, lhes dá pão e leite o que lhes pode provocar uma diarreia mortal. A melhor forma de ajudar um ouriço é soltá-lo na horta: um só ouriço consegue comer até 250 lesmas numa noite! O seu nome – cacheiro – sugere aquele que dissimula ou engana, mas que animal terá capacidade para enganar um automóvel? Não deveria este animal ser - pelo menos com tanto empenho quanto o cagarro - também defendido através de campanhas públicas?