segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
As fúrias e a Oresteia
"O drama da Oresteia consiste no facto de as antigas e as novas explicações de justiça serem totalmente opostas. Os antigos deuses da vingança, as Fúrias, que são todas mulheres, colocam a família acima de todos os outros valores; os novos deuses, na maior parte homens, defendem a lei universal e distanciada, que não abre excepções para indivíduos, famílias ou cidades. Apolo articula a nova concepção de justiça distanciada (...)
(109)
(...) a própria peça funciona como um deus. Não é, no entanto, um deus específico de dadas situações, do género dos que encontramos em Homero, um deus que nos leva a agir no aqui e agora. É, antes, um deus mais universal, um deus mais monoteísta; é um deus que mostra a toda a cultura ateniense o papel que lhe cabe enquanto povo. A Oresteia chama todos os atenienses a participar na revelação do seu brilhante novo mundo, envolvendo-os numa celebração do modo de vida ateniense e instilando neles um tipo peculiar de orgulho ateniense."
Um mundo iluminado, de H. Dreyfus e S. D. Kelly (115)
A estranheza de uma experiência interior
"A ideia de uma experiência interior era tão estranha para os gregos que viviam até mesmo os seus sonhos como se tivessem lugar no mundo. (...) Sonhos, sentimentos e, especialmente, estados de espírito não eram experimentados pelos gregos homéricos como tendo lugar no espírito dos indivíduos. Pelo contrário, os estados de espírito eram públicos e partilhados e as pessoas sentiam-se arrastadas num estado de espírito partilhado como gotas de chuva num furacão.
Um deus é, na terminologia de Homero, um estado de espírito ou disposição que nos coloca em sintonia com o que mais importa numa dada situação, permitindo-nos responder de forma adequada sem pensar.
Esta concepção homérica dos deuses coloca outras exigências à vida bem vivida. Porque se o melhor tipo de vida humana requer a presença dos deuses, então, os melhores tipos de seres humanos têm de convidar os deuses exprimindo gratidão e admiração na sua presença. Assim sendo, fomentar uma apreciação por aquelas situações da vida em que acontecem coisas favoráveis fora do nosso controlo, e desenvolver um sentido de gratidão e admiração ante tais situações - também isso é necessário a uma vida bem vivida. Quando criamos em nós mesmos a capacidade para este tipo de admiração e gratidão tornamo-nos um convite vivo aos deuses."
Um mundo iluminado, de H. Dreyfus e S. D. Kelly (99-100)
domingo, 1 de janeiro de 2012
O afundamento
"Quando descobrimos o mundo dos blogues, por exemplo, sentimos como se finalmente pudéssemos estar a par de cada acontecimento da actualidade. Suponhamos que se interessa por política. De repente, parece possível estar exactamente a par do que está a acontecer no capitólio. Não somente nesta semana, mas neste preciso momento. (...) Acontece algo semelhante com as redes sociais. Sentimo-nos, por fim, completamente ligados a todos esses amigos de quem, sem o saber, tínhamos saudades há tanto tempo.
Se alguém cai nas garras deste tipo de obsessões, a sua fenomenologia assume uma dimensão de afundamento. Pois uma pessoa dá por si ansiando pelo último post, perguntando-se qual poderá ser a mais recente crise, ou observação ou comentário. Percorremos a lista de websites ou de amigos, à espera da última actualização, apenas para descobrir que quando chegamos ao fim já estamos a percorrer a sequência uma vez mais, com tanta expectativa e ânsia como antes. O desejo de algo novo é constante e imparável, e o último post serve apenas para nos fazer ansiar por mais. Com este tipo de vício existe um sentido claro do que devemos fazer a seguir. Mas o completar da tarefa falha na satisfação do desejo que nos deu o impulso inicial. Pelo contrário, o agente heróico experimenta um sentido elevado de alegria e realização quando uma acção nobre e digna o arrasta para o seu lado.
O fardo de uma escolha é um fenómeno peculiarmente moderno. Prolifera num mundo onde já não há Deus ou deuses, nem mesmo um sentido do que é sagrado e inviolável, para centrar a nossa compreensão daquilo que somos."
Um mundo iluminado, de H. Dreyfus e S. D. Kelly (19)
sábado, 31 de dezembro de 2011
Como dar sentido à vida neste mundo deprimente?
Uma resposta está no livro Um Mundo Iluminado - Uma leitura dos clássicos à procura de um sentido num mundo secular, escrito por Hubert Dreyfus e S. D. Kelly, tr. F.G., Lua de Papel, 2011.
Para começar, devemos procurar resquícios das experiências do sagrado que iluminaram o nosso passado. Encontraremos essas centelhas do sagrado relendo os grandes clássicos. Homero, Ésquilo, Dante e Melville são os principais privilegiados. David Foster Wallace serve para introduzir a análise crítica do "nosso niilismo contemporâneo". Através dessas leituras propõem-se os autores reconstruir algum sentido glorioso que oriente e ilumine as nossas vidas.
Mas por que está o mundo tão deprimente? Segundo os autores, o grande mal foi a modernidade com a sua ideia de indivíduo capaz de descobrir leis em si próprio e para si próprio: "a nossa concentração em nós mesmos enquanto seres isolados e autónomos teve o efeito de banir os deuses" (243). Aquilo que hoje precisamos é de desenvolver "competências para responder aos múltiplos sentidos do sagrado que permanecem, ignorados, nas margens do nosso mundo desencantado" (244).
Para começar, devemos procurar resquícios das experiências do sagrado que iluminaram o nosso passado. Encontraremos essas centelhas do sagrado relendo os grandes clássicos. Homero, Ésquilo, Dante e Melville são os principais privilegiados. David Foster Wallace serve para introduzir a análise crítica do "nosso niilismo contemporâneo". Através dessas leituras propõem-se os autores reconstruir algum sentido glorioso que oriente e ilumine as nossas vidas.
Mas por que está o mundo tão deprimente? Segundo os autores, o grande mal foi a modernidade com a sua ideia de indivíduo capaz de descobrir leis em si próprio e para si próprio: "a nossa concentração em nós mesmos enquanto seres isolados e autónomos teve o efeito de banir os deuses" (243). Aquilo que hoje precisamos é de desenvolver "competências para responder aos múltiplos sentidos do sagrado que permanecem, ignorados, nas margens do nosso mundo desencantado" (244).
É no desporto que os autores vêem hoje o sentido de união que antes acontecido nos festivais sagrados. E é a através do discurso de despedida de Lou Gehrig que se explora o lado religioso do desporto contemporâneo.
"Há momentos nos desportos - tanto ao praticá-los como ao assistir a eles - perante os quais acontece algo de tão poderoso que cresce diante de nós como uma presença palpável e nos arrasta como sobre uma poderosa onda. Nesses momentos, não há lugar a um distanciamento irónico face ao acontecimento. é nesses momentos que o sagrado brilha." (215)
Quatro aspectos revelam a presença do sagrado no desporto. 1) "nos momentos realmente extraordinários acontece algo de esmagador"; infelizmente esse momento não dura para sempre, é "passageiro" e "situacional". E não é esta característica de que tudo nos foge das mãos o que está na origem da vida deprimente? Pode ser, mas os autores vêm esse aspecto como algo positivo. 2) Essa característica do sagrado liga-nos com "a concepção do real dos gregos homéricos", liga-nos à physis. A tradução apresentada do termo grego é "sibiliação" (wooshing), "a sibilação do cintilante Aquiles no meio da batalha, ou do erotismo esmagador na presença de um estrangeiro radioso como Páris; a sibilação de uma rocha no mar tumultuoso que impele a mão de Ulisses a agarrá-la. Estes eram os momentos plenos de luz da realidade no mundo de Homero. E a sibilação é o que acontece também no contexto dos grandes momentos do desporto contemporâneo." (222). 3) "o fenómeno physis não é exclusivo do desporto", está presente também noutros momentos como, por exemplo, no discurso de Martin Luther King. 4) Há algo de perigoso no fenómeno em apreciação. É que nesses momentos perdemos o controlo de nós mesmos, deixamo-nos levar, sem escolher o que fazemos. Este é o alerta que vem do iluminismo e ele tem razão de ser pois, segundo os autores, "vai uma distância muito pequena entre erguer-se com o público de um jogo e erguer-se com a multidão de um comício de Hitler." (225). Como remédio contra esses perigos, são-nos receitadas "outras práticas sagradas na nossa cultura". Devemos recuperar "o estilo poiético" que se manifestava "na capacidade do artífice de fazer as coisas surgirerm no seu melhor". Devemos focar-nos nas capacidades poéticas e, desenvolvendo as perícias adequadas, veremos o mundo de outra maneira: "a tarefa do artífice não é criar o sentido mas antes cultivar em si mesmo a capacidade de discernir os significados que já estão aí." (230). Devemos afastar a máquina e regressar ao artesão. É bonito, claro, mas como se faz isso ninguém parece saber. E isso por si só não chega: "Até mesmo os mestres no ofício de construir rodas de carruagens com reverência pela terra foram arrastados pelo poder da retórica de Hitler." O que é preciso é juntar às perícias a "capacidade de ordem superior para responder a distinções importantes entre maneiras perigosas e benignas de se deixar arrastar. A pessoa que adquiriu essa capacidade sabe que nem sempre é adequado fugir das multidões (...) tal capacidade permite-nos cultivar uma forma proeminente do sagrado disponível na cultura de hoje. A meta-poiesis, como lhe poderíamos chamar, consegue resistir ao niilismo, mediante o reapropriar do fenómeno sagrado da physis, mas cultiva a capacidade para resistir à physis quando esta se apresenta na sua forma fanática e odiosa." (233). Uma boa dose de elitismo fica sempre bem!
"Será que enfrentamos, pois, uma vida de actividade moral aborrecida, mas madura, por um lado, e, por outro, uma vida de actos arriscados, e talvez odiosos, mas dotados de sentido? Não, as apostas são ainda mais altas. O abraço metafísico iluminista do indivíduo autónomo não conduz somente a uma vida aborrecida. Conduz quase inevitavelmente a uma vida impossível." (225).
Estamos perante uma posição que rejeita liminarmente a modernidade e a tecnologia - esta facilita-nos a vida
mas torna-nos mais pobres. Simplesmente já não sabemos nada. Deixamos
essa parte para as máquinas. Como solução, é-nos dado o sentido de comunidade na partilha de algo grandioso. Como guias de auto-ajuda oferecem-nos os clássicos e o desporto contemporâneo. Há muito por onde discordar, mas o facto é que as interpretações dos clássicos oferecidas no livro são muito boas e, tirando alguma presença excessiva da filosofia heideggeriana nas páginas centrais do livro, trata-se de um dos melhores ensaios recentemente publicados entre nós. Acresce ainda que a tradução é muito boa.
(LFB)
"Sumo é o desporto nacional do Japão. Parte religião, parte ritual. A origem deste desporto está nas competições de força que se realizavam para entreter os deuses durante os festivais. O nível mais elevado - no Japão moderno o sumo profissional continua a acontecer sob um telhado suspenso de um templo Shinto - e o ringue são abençoados, antes de cada torneio, por um sacerdote. Os torneios estão envoltos em pompa e cerimónia. As árbitros assemelham- se a sacerdotes. Antes de cada luta, os rikishi [atletas] atiram sal para o ringue num ritual de purificação e o grande campião - o yokozuna - enquanto realiza as elaboradas cerimónias de entrada usa roupas brancas, estilizadas a partir das usadas nos templos Shinto.
Os combates raramente duram mais de trinta segundos. É um show dos diabos. Explosivo e, no entanto, contido. No sumo não se dividem os atletas em categorias de peso, o que significa que um pequeno meia caneca (halfpint) de noventa quilos pode defrontar um gigante de duzentos e cinquenta quilos e os gigantes nem sempre ganham. O sumo requer um centro de gravidade baixo - daqui as dietas forçadas e as grandes e redondas barrigas - mas os rikishi pequenos, rápidos e mais espertos podem entrar, agarrar o cinto e perturbar homens muitos maiores que caiem como sequóias derrubadas."
(57-58)
(Will Ferguson, Hokkaido Highway Blues - Hitchhiking Japan, Cannongate, Abridged ed., 2003. Tr. LFB)
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
"Do outro lado do estacionamento está uma roda gigante, empurrada pelo seu próprio momentum, gira com o mar e o céu como pano de fundo. O truque de qualquer roda gigante está em começar a andar e depois manter a rotação. O Momentum é a única força capaz de derrotar simultaneamente a inércia e a gravidade. No espaço, os satélites não órbitam o planeta. Eles estão em queda, continuamente em queda, levados, pelo ângulo da sua descida, para além do arco da Terra. E o que é o andar em si senão simplesmente manter uma queda? Para colocar um objecto em movimento é necessário um grande esforço, mas depois de ele estar em andamento torna-se cada vez mais fácil mantê-lo. Esforçamo-nos para pôr o carro a trabalhar, mas depois de ele estar a andar o esforço é quase imperceptível. É mantê-lo em andamento com o seu próprio momentum. Viajar é uma questão de manter o momentum. Resistir à gravidade. Em queda livre para lá do horizonte, caindo, nunca aterrando.
(p.23)
O professor era claramente um perito na sua área. A sua mulher mostrou-me um livro que ele escreveu e, sempre que eu o cumprimentava, ela abanava a cabeça fechando os olhos em sinal de concordância profunda. Ela, mais do que sua mulher, era sua fã. Infelizmente não consigo levar um qualquer careca a sério quando ele unta o cabelo em longos fios mutantes e o penteia por cima da cabeça. E eu estava no banco de trás, o que não ajudava, pois o que eu via era um ovo cozido. Em vez de prestar atenção à vida social dos macacos japoneses, eu estava mais fascinado com a própria estratégia do pentear-por-cima. Será que essas pessoas pensam realmente que conseguem enganar alguém? Será que não têm espelhos? Ou será que os espelhos é que são o problema? Em frente do espelho da casa de banho deve ser o único modo de o estilo de pentear-por-cima parecer remotamente natural E mesmo assim, quantas vezes é quer nós vemos pessoas com o cabelo a crescer-lhes horizontalmente por cima da testa? Os japoneses, que têm um certo charme para descrições cómicas, referem-se ao estilo de pentear-por-cima como a cabeça código-de-barras, referindo-se aos preços com códigos-de-barras dos supermercados. Sentado no banco de trás, com esta vista desfavorável de um professor (pausa) da Universidade de Tóquio, apetecia-me passar a mão ligeiramente por cima da sua cabeça e ver que tipo de preço surgiria.
«E portanto, poderá deduzir o quanto a vida social dos macacos é tão importante,» disse ele em conclusão.
«Absolutamente», disse eu."
(p.31-32)
(Will Ferguson, Hokkaido Highway Blues - Hitchhiking Japan, Cannongate, Abridged ed., 2003. Tr. LFB)
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Zappa (1940-1993) and Havel (1936-2011)
"Em Janeiro de 1990, menos de um mês depois de Václav Havel ter sido eleito presidente da Checoslováquia, mas muito antes de ele e outros democratas estarem seguros no poder; mesmo antes da polícia secreta Comunista passar a estar sob controlo democrático (...), num período em que rumores de golpes Comunistas contra-revolucionários pontuavam todas as conversas telefónicas e num momento em os bravos estudantes que deram início à Revolução de Veludo retornavam, silenciosamente, à conformidade induzida pelo medo; num momento em que os exaustos Praguenses se recusam a assinar mais petições radicais, só no caso de - no sinistro momento dos trémulos primeiros meses da Revolução do Bloco Oriental, eis que o distinto Frank Zappa visita Praga.
Zappa estava a caminho do parlamento checoslovaco para se encontrar com o Presidente Havel, um fã de longa data de Bongo Fury e outros álbuns. No bolso levava sugestões sinceras - turismo, telefones celulares e uma coisa chamada tecnologia magnetohidrodinâmica - para salvar a Checoslováquia de décadas de estagnação económica. Cinco mil fãs (na estimativa do próprio Zappa) esperavam-no no aeroporto. Repórteres televisivos de Praga aguardavam-no equipados para gravar a histórica chegada. E por mera sorte, os jornalistas dão de caras com outra distinta personagem americana - o embaixador americano dos Estados Unidos, que estava de partida. O embaixador não era nem mais nem menos do que Shirley Temple Black, a princesa infantil e com covinhas dos filmes, que agora estava crescida. Que excitação! Americanos reais, saídos directamente de Hollywood. Os repórteres correram para a embaixadora dos Estados Unidos e pediram-lhe que comentasse a iminente chegada do Sr. Frank Zappa.
De um ponto de vista americano, isso era um bizarro - ou, de qualquer modo, um estrangeiro - momento na Revolução do bloco oriental. Nenhum americano, no seu perfeito juízo, sonharia sequer fazer perguntas a Shirley Temple sobre Frank Zappa. Os americanos sabem que os Estados Unidos são um país dividido, em guerra consigo próprio desde meados dos anos sessenta, senão antes, lascado em cultura e contra-cultura, direita e esquerda. À excepção de que persistem, como uma guerrilha que se ulcerou na selva até à segunda ou terceira geração, quem poderá dizer, de facto, que divisões são essas? (...)
A transmissão televisiva da chegada sensacional de Frank Zappa ao aeroporto, no meio da revolução, passou, conjuntamente com imagens sobre o que a embaixadora dos Estados Unidos conseguiu dizer, nessa noite na TV de Praga. Como me foi infinitamente recontado por todos os checos que encontrei nessas revolucionárias e assustadoras semanas, a Sra. Black ficou horrorizada, mesmo humilhada. A cabeça afastada da câmara. A face enfiada nas mãos. Mortificação televisiva! A música do Sr. Zappa aparecia como um sol distante que nunca tinha lançado um raio de luz na praia solitária da Sra. Black. A embaixadora dos Estados Unidos voluntariou-se afirmando que sabia algo sobre a filha do Sr. Zappa: Moon Unit. A Checoslováquia estava consternada. As pessoas não tinham outra forma de classificar o comportamento rude da embaixadora dos Estados Unidos a não ser classificando-o de ignorância cultural, vinda de alguém a quem faltava a autoconfiança para gabar-se, perante toda a Europa Central, de um dos mais finos filhos da América, o brilhante Zappa, uma figura mundial no campo da música popular."
(Paul Berman, A Tale of two Utopias - The political Journey of the generation of 1968, Norton, 1996, pp. 195-197. Tr LFB.)
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Honkytonk Man / A Última Canção, Clint Eastwood (1982)
Um músico aventureiro que vê o fim da sua vida aproximar-se - por causa da tuberculose - inicia uma viagem em direcção ao Grand Ole Opry na tentativa de mostrar ao mundo as suas canções. Nessa viagem - do Oklahoma para Nashville, Tennessee - leva consigo um jovem sobrinho que assim se inicia nas peripécias da vida americana dos anos 30.
A sugestão do filme vem do devaneios.
(LFB)
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Quais as nossas prioridades, em termos de resolução de problemas mundiais?
Bjorn Lomborg é um ambientalista céptico e autor do livro The Skeptical Environmentalist: Measuring the Real State of the World (2001) de que voltarei a falar. Conheci-o no Abrupto.
(LFB)
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Orientação vocacional
“Se eu ficasse apenas com os
meus próprios recursos - se eu não
precisasse de me preocupar em ganhar a
vida ou em saber o que os outros pensam de mim - o que é que
me atraía mais? (...) O que nós precisamos de fazer é ver o nosso futuro
e o futuro das nossas crianças, o futuro dos nossos colegas e da nossa
comunidade com a simplicidade infantil que os prodígios exibem quando os seus
talentos surgem pela primeira vez.
Trata-se de, em vez de
abordá-los com um modelo sobre quem serão, olhar nos olhos das nossas crianças e tentar
compreender quem eles são realmente. (...) Que tipo de actividades querem eles
realizar voluntariamente? Que tipo de aptidão sugerem? O que é que os absorve
mais? Que tipo de questões colocam e
que observações fazem?”
(Ken Robinson, The
Element - How Finding your passion Changes Everything, Viking, 2009, pp.
102. Trad. LFB)
"
A criança
é feita de cem.
A criança
é feita de cem.
A criança tem
centenas de línguas
uma centena de mãos
uma centena de pensamentos
cem maneiras de pensar
brincando e conversando
cem sempre cem
maneiras de ouvir
admirar, amar
uma centena de alegrias
para cantar e compreender
uma centena de mundos
para descobrir
uma centena de mundos
para inventar
uma centena de mundos
para sonhar.
centenas de línguas
uma centena de mãos
uma centena de pensamentos
cem maneiras de pensar
brincando e conversando
cem sempre cem
maneiras de ouvir
admirar, amar
uma centena de alegrias
para cantar e compreender
uma centena de mundos
para descobrir
uma centena de mundos
para inventar
uma centena de mundos
para sonhar.
A criança tem
centenas de línguas
(e mais cem, cem, cem)
mas roubaram-lhe noventa e nove.
centenas de línguas
(e mais cem, cem, cem)
mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura
separaram a cabeça do corpo.
separaram a cabeça do corpo.
Disseram-lhe para:
pensar sem as mãos
fazer sem a cabeça
ouvir e não falar
compreender sem alegrias
amar e maravilhar-se
só na Páscoa e no Natal.
pensar sem as mãos
fazer sem a cabeça
ouvir e não falar
compreender sem alegrias
amar e maravilhar-se
só na Páscoa e no Natal.
Disseram-lhe para:
descobrir o mundo que já existe
e das centenas
roubaram-lhe noventa e nove.
descobrir o mundo que já existe
e das centenas
roubaram-lhe noventa e nove.
Disseram-lhe
jogar e trabalhar
realidade e fantasia
ciência e imaginação
o céu e a terra,
razão e o sonho
são coisas
que não andam juntas.
jogar e trabalhar
realidade e fantasia
ciência e imaginação
o céu e a terra,
razão e o sonho
são coisas
que não andam juntas.
Disseram-lhe
que as cem não existem.
que as cem não existem.
E a criança diz:
Nem pensar. As cem existem.
"
Nem pensar. As cem existem.
"
(Loris Malaguzzi, fundador do método de educação
pré-escolar conhecido como Escola Reggio; in
Ken Robinson, The Element - How Finding your passion
Changes Everything, Viking, 2009, pp. 242-243. Trad. LFB)
sábado, 3 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
João Magueijo
"Acontece-lhe a tentação de embarcar em especulações de ordem filosófica a partir das investigações científicas que faz?
Só quando sou obrigado a isso. Às vezes acontece mas em geral evito.
Evita porquê?
Porque sou físico. Estou mais interessado em arranjar uma teoria física do que estar a discutir filosofia.
Sendo ateu alguma vez se lhe colocou a questão religiosa no trabalho que faz?
É completamente indiferente ser ateu ou não ser. Não tem nada a ver com o facto de ser cientista.
Claro, mas agora já estamos fora do âmbito científico; estamos no âmbito filosófico e metafísico.
Não acredito em Deus por razões filosóficas, pessoais e humanas. Mesmo que a física provasse a existência de Deus, não devíamos acreditar em Deus.
Porquê?
Porque acho que faz mal. faz mal à saúde, à nossa História, faz mal a tudo. Não sou dogmático mas penso isto, profundamente. O ser ateu nada tem a ver com a ciência. Aliás, isto nem é ser ateu, é ser antiteísta: é ser mesmo contra a ideia de Deus. Tenho muitos amigos religiosos e não vou ser evangélico a este respeito. Tentar provar que Deus não existe com ciência é tão estúpido como usar os argumentos criacionistas. Isto é uma escolha pessoal humana."
Excerto da entrevista de Carlos Vaz Marques a João Magueijo, Revista Ler, nº107, Novembro de 2011, pp.86-87.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
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