sábado, 29 de outubro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Novilíngua (2)

Secretário de Estado da Solidariedade Social ao Público:
"Por esse motivo, acrescentou, 'a sociedade portuguesa, através destas instituições, dos voluntários profissionais do sector e dos portugueses com a sua generosidade, são os parceiros' com que o Estado conta para que 'em conjunto' possam 'ultrapassar os obstáculos sociais que existem pela frente'.'" 


[Artigo 3º] A qualidade de voluntário não pode, de qualquer forma, decorrer de relação de trabalho subordinado ou autónomo (...).
[Artigo 6º] O princípio da complementaridade pressupõe que o voluntário não deve substituir os recursos humanos considerados necessários à prossecução das actividades das organizações promotoras, estatutariamente definidas. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011


Termos & Condições

                           (DO)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Prioridades

I.

II.
"Cerca de 43 milhões de pessoas estão em risco de carência alimentar na Europa e não têm meios para pagar uma refeição completa e 79 milhões vivem abaixo do limiar de pobreza, indicam dados do Programa Europeu de Apoio Alimentar. As instituições em Portugal temem os efeitos dos cortes que o programa vai sofrer. (...) Os alimentos distribuídos pela Segurança Social às instituições vêm deste programa europeu que, em 2012, terá um orçamento para Portugal de 4,5 milhões de euros, menos 15,5 milhões que em 2011." (daqui)

III.
"(...) atribuição do prémio de 100 mil euros por jogador se Portugal ganhar 'a essa potência do futebol que é a Bósnia Herzegovina (...)'." (daqui)


De acordo com os melhores especialistas, o Sol não deixará de nascer amanhã.
(DO)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os filósofos e o nazismo (4)

"Ainda que não seja mencionado, Johann Gottlieb Fichte era, de facto, o pensador mais próximo de Hitler e do nacional-socialismo, tanto em termos de tom, como em termos de espírito e de brio. Ao contrário de Schopenhauer, homem dado à interioridade e herdeiro da tradição livresca, ou do débil e prostrado Nietzsche, Fichte era impertinente e desafiador. Em 1808, e numa Berlim ocupada pelas tropas francesas, Fichte apelou à sublevação dos Alemães contra a opressão estrangeira nos seus memoráveis Discursos à Nação Alemã. Na véspera da batalha decisiva contra Napoleão, em Leipzig, Fichte apareceu a liderar os seus alunos, armado e pronto a lutar. Consta que era um orador hipnótico, capaz de deixar as audiências "presas" às suas palavras. "À acção! À acção! À acção!", terá ele apelado um dia- "Que é por isso que estamos aqui."
Tal como Fichte, Hitler apelava ao "derrube da elite política" através da sublevação popular. Fichte falava em termos de uma Volkskrieg, ou guerra do povo. E, tal como Fichte, Hitler ambicionava a unificação da dividida nação germânica. Ao pôr em causa o diálogo político próprio da democracia parlamentar e ao apelar ao diálogo directo com o povo germânico, Hitler assumia uma posição próxima da retórica fichtiana e evocava os Discursos à Nação Alemã.
Mais pródigo de consequências, Fichte foi um dos obreiros da ideia da excepcionalidade alemã. Defendia que os Alemães eram únicos entre os povos da Europa. O seu idioma não tinha origem no latim mas sim numa distinta língua teutónica. E os Alemães não só falavam de uma forma distinta dos demais europeus, como pensavam, acreditavam e agiam de modo também distinto. Fichte defendia que só uma língua alemã purificada, não corrompida nem pelo francês nem por quaisquer outros estrangeirismos, poderia dar expressão pela a um pensamento germânico puro. Todos os esforços desenvolvidos pelas diferentes organizações nazis para expurgarem a língua alemã dos elementos que lhe eram estranhos assentavam neste preceito fichtiano, que Hitler consubstanciava sempre que se punha a divagar em torno da palavra Führer. "O título de Führer é de entre todos o mais belo, porque emerge directamente do nosso próprio idioma", chegou a afirmar, fazendo notar com satisfação que apenas a nação alemã se podia expressar em termos de "meu Führer."
Fichte era também decididamente um anti-semita. ele acreditava que os judeus seriam um "Estado dentro do Estado" e, como tal, tinha-os como uma ameaça permanente à unificação alemã. Propunha que a Europa se livrasse dessa ameaça através de um Estado judeu na Palestina. Ou, em alternativa: "Cortando-lhes as cabeças numa noite e colocando-lhes sobre os ombros outras novas, que não deveriam conter uma única ideia judaica."

(Ryback, Timothy, A Biblioteca privada de Hitler - Os livros que moldaram a sua vida, (tr. I.L.S.) Civilização editora, 2011, pp.133-134)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Hoje de manhã, na rádio, uma desconhecida deputada pelos Açores à Assembleia da República afirmava que todos os açorianos anseiam pela continuidade do modelo actual de programação da RTP Açores.
Eu, sendo açoriano, venho afirmar que não só não anseio pelo continuidade da RTPA como me parece que nenhum governo deveria ter qualquer poder sobre as televisões; o que equivale a dizer que a televisão deveria ser privatizada. Não é isso que está para acontecer, mas sim a redução para quatro horas de programação realizada nos Açores, o que é mais do que suficiente.
O grande problema para os políticos açorianos não é, como agora apregoam, o governo "lá de fora" estar a pôr em causa o valor imprescindível da RTPA para a prestação do serviço público dos meios de comunicação. Se assim fosse, seria natural vê-los também procurar saber qual o nível de audiências da RTPA. E assim esclarecer as pessoas sobre o valor real desse dito serviço público. Mas ninguém quer saber do nível de audiências da RTPA, e isso talvez se deva ao facto de  ninguém ver a RTPA - a não ser a população mais isolada, mais pobre e mais envelhecida e, por isso, mais facilmente influenciável que, desejando saber qual o tempo que irá fazer amanhã, acaba por ver as últimas inaugurações e as últimas ideias brilhantes dos cesarianos sempre com umas cores a dançar em pano de fundo.
O grande problema é que um dos mais eficazes instrumentos de controlo político deixará de estar disponível para os governantes exercerem a sua manipulação. Sobre isto basta ver o tratamento indigno que foi dado, por parte dos governantes açorianos e por parte dos jornais locais, aos representantes da Entidade reguladora para a comunicação Social quando, ainda há bem pouco tempo, cá estiveram a dizer que havia intromissões políticas no tratamento dos noticiários televisivos.
Até hoje a RTPA tem servido para veicular as mensagens do partido no governo e para mascarar os problemas da sociedade. Veja-se como ex-funcionários da RTPA foram parar a assessores do governo. Tem servido para - com a desculpa do serviço público e do valor cultura açoriana para os próprios açorianos - passar muito dinheiro para o bolso de poucos, alguns deles reformados da própria RTPA. Agora que o dinheiro está a acabar, uns dirão que já não querem mais, que é tempo de dar lugar aos mais novos. Outros, clamarão pelas virtudes da TV pública. Por mim, podem reduzir já a emissão que ninguém dará por isso.

(LFB)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Amal Murkus - La Ahada Yalam





No-one knows
whose turn it will be tomorrow.
The skies above the refugee camp are grey.
Dreams hastily scrawled on the walls.

Beneath the slogans'
the children from the city
play their game.
Death.

No-one knows, no-one knows.

The heroes of today are announced
dead
on the evening news.
Ordinary people make the headlines
for a few seconds,
only to vanish
without a trace
in the current
of another day's events.

No-one knows, no-one knows.

But I know that tomorrow's victims
will bring a new dawn
closer.
No-one knows.


(Nizar Zreik; tr. para inglês de Robert Wyatt)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

The Dead Sea Digital Project

Os pergaminhos do mar morto (the dead sea scrolls) - em exposição permanente no Museu de Israel - constituem um dos mais importantes achados arqueológicos do monoteísmo. Cinco desses pergaminhos podem agora - graças a uma cooperação entre o Google e o Projecto de digitalização dos Pergaminhos - ser objecto de estudo aprofundado sem ser preciso sair de casa. Clique e explore: The Digital Dead Sea Scrolls





quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Algumas considerações sobre a luta contra os transgénicos

-->
Não cabe apresentar aqui uma argumentação completa sobre a questão de saber se é correcto, ou não, o uso de sementes transgénicas na agricultura dita convencional1. Como ponto prévio gostava só de vincar que qualquer discussão séria sobre essa questão deverá ter em conta os pontos de vista dos vários intervenientes: o ponto de vista da biotecnologia e da sua ligação com as grandes empresas – da investigação sobre novas sementes ao estudo de implementação de novas culturas e à venda de sementes; o ponto de vista do agricultor que quer produzir muito, bom e rápido; o ponto de vista do consumidor que quer comprar alimentos bons, baratos e que ofereçam garantias de qualidade; e, por fim, o ponto de vista do bem comum, ou do Estado, que é o regulador e o garante da protecção de todas as partes envolvidas. As considerações que a seguir apresento dirigem-se sobretudo àqueles que, como eu, discutem a questão do ponto de vista do consumidor. A minha posição tende a ser moderada. Nem conservadora ao ponto de desejar proibir todos os transgénicos. Nem liberal ao ponto de querer permitir todo o tipo de cultivo sem qualquer tipo de controlo.
A grande razão contra o uso dessas sementes parece derivar do medo de vir a contrair doenças ou de vir a morrer por causa dos alimentos transgénicos. O raciocínio é indutivo (a sua conclusão não é necessariamente verdadeira) e pode ser apresentado do seguinte modo: já vimos, no passado, pessoas morrerem por causa da negligência da indústria alimentar (veja-se o caso da doença das vacas loucas). Temos, pois, receio de que erros semelhantes venham a acontecer no futuro e, por isso, queremos uma agricultura livre de transgénicos. Defende-se assim uma postura preventiva. Mas o raciocínio é pouco sólido. Pouco se descobriu sobre o hipotético mal que os alimentos resultantes de sementes transgénicas poderá causar à saúde humana; desconfia-se que poderão causar alergias. Contudo, sabe-se muito mais acerca do carácter nocivo dos alimentos processados e da carne produzida em regime industrial. Mas nem por isso muitas das pessoas que são contra a introdução de transgénicos querem ou podem (não esquecer que o estilo de vida das nossas sociedades é também factor a ponderar nesta discussão) abdicar de uma alimentação processada, apesar de ela ser, a longo prazo, altamente prejudicial2.
Muitos dos argumentos usados pelos consumidores que lutam contra os transgénicos baseiam-se em premissas egoístas do género: ‘sou contra porque isso me vai fazer mal à saúde’. O único argumento que não contém uma certa dose de egoísmo é o argumento da biodiversidade: isto é, que a introdução de uma agricultura transgénica diminuirá a variedade biológica. Aqui a ideia é que devemos deixar a natureza fazer o seu trabalho e que não se deve interferir de maneira nenhuma no processo de selecção natural. Há aqui uma certa visão de que a vida é intocável e de que o homem, ao violar os segredos da natureza, está a colocar em risco toda a vida na Terra.
Mas mesmo que isso seja verdade é preciso não demonizar excessivamente a engenharia genética, nem santificar em demasia a vida natural. Não podemos esquecer que muitas dos benefícios que a medicina actual oferece (e muitas das promessas que apresenta em relação ao futuro da humanidade) – por exemplo na produção de vacinas e de insulina transgénicas – resultam de progressos consideráveis na engenharia genética. Por outro lado, é preciso cuidado ao pressupor a santificação da vida (a vida natural deveria ser intocável), pois isso aproximaria a argumentação daqueles que, pela mesma razão, acabam defendendo, por exemplo, a imoralidade do aborto ou a proibição de investigação com células estaminais.
A luta importante a travar não é contra a engenharia genética porque essa por si só não é boa nem má, e ninguém poderá defender seriamente um mundo sem ciência e sem os benefícios que ele nos oferece diariamente. A luta a travar é contra uma agricultura convencional sem escrúpulos e contra a produção industrial de carne (nos Açores os animais são alimentados com rações produzidas a partir de milho transgénico e ninguém parece muito preocupado com isso) onde a saúde dos animais e das pessoas constitui um atropelo ao lucro rápido. Sabe-se que esse tipo de produção de alimentos é altamente poluidora e destrutiva do meio ambiente porque usa e abusa de adubos químicos, herbicidas e pesticidas cuja conjunção e consumo contínuo é altamente prejudicial para a saúde. E de nada valeria ter uma agricultura sem transgénicos mas convencional no sentido apresentado. Só defendendo uma agricultura orgânica contra uma agricultura destruidora do planeta podemos ser ambientalistas sem desprezar o valor que a biotecnologia nos dá.

[1] Para uma discussão ética detalhada ver o artigo de Ana Firmino, (2007) “A Saga dos OGM´s: uma reflexão polémica”, disponível on line. 
[2] Veja-se, sobre a ligação entre um ambiente poluído e as doenças mortais, o livro esclarecedor de Sandra Steingraber, Living Downstream – An Ecologist’s Personal investigation of Cancer and the Environment, Da Capo Press, 20102.
Texto publicado no jornal da Gê Questa - Associação de defesa do ambiente, Verão de 2011. Edição on line aqui.]

LFB

terça-feira, 27 de setembro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

Entrevista a Rafael Marques, autor de Diamantes de Sangue



Este homem, jornalista de investigação, é de outra safra.
O medo e o silêncio não fazem nada por ninguém.
"É um risco maior manter o silêncio."
"Portugal tornou-se uma lavandaria para o produto de saque em Angola."
[uma réstia de] Esperança.
Uma infinita vénia é pouco.
O livro aqui.

(DO)