quinta-feira, 2 de junho de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Os animais à assembleia da república


Eu diria que a minha deliberação vai no sentido de votar no Partidos dos animais!

Para além de eu ser um defensor da causa ética animal, observar o que "acontece" (como se disse na Quadratura) na campanha só pode mesmo fazer transbordar a vontade política, deslocando o meu voto não sei bem donde para um movimento que vê bem mais longe do apenas aquilo que está, aqui e agora, à sua volta.
Só para referir um acontecimento: o regresso da discussão do aborto é do mais estapafúrdio que se pode ouvir. O que estávamos mesmo a precisar era de um novo referendo sobre o tema.
Mas esta gente que pretende governar este país não enxerga nada à sua frente, ou quê?
Eu no PS não voto. Depois de tanta mentira e da responsabilidade perante o desastre a que o país chegou é preciso muito descaramento para se armarem em vítimas. E quanto ao voto útil no PSD, é preciso merecê-lo meus caros. Dos outros nem falo...
Votando no PAN, sempre posso imaginar o bom que era ver os animais no parlamento. Galerias cheias de burros, galinhas, vacas, porcos e toiros a apupar os humanos espantados.
Vivam, pois, os animais, sobretudo os irracionais.




(LFB)

terça-feira, 24 de maio de 2011

O mal contemporâneo

"Se há algo de novo no mal contemporâneo, não é simplesmente uma questão de quantidade relativa, nem de relativa crueldade. As câmaras de gás foram inventadas para poupar as vítimas a formas dolorosas de morte - e para poupar os assassinos a uma visão que poderia perturbar  as suas consciências. Para muitos, é essa mistura perversa de industrialização com uma pretensa humanidade que torna os campos da morte horripilantes. As discussões sobre que tipos de morte são piores levam a formas macabras de competição. Um momento de reflexão sobre a história da tortura deixa claro que, antes e depois de Auschwitz, os seres humanos mostraram possuir competências para a crueldade que as palavras não conseguem captar. Só o facto de estarmos habituados à morte de Jesus como um ícone pode eclipsar a atrocidade da sua crucifixão. Se isto não fosse tão familiar, podia facilmente servir como paradigma do sofrimento inocente a que o cristianismo primitivo assistiu. Forçar um prisioneiro condenado a arrastar o instrumento que a seguir será usado para o torturar até à morte, pelo meio de uma multidão escarnecedora, é um refinamento de crueldade que nos devia cortar a respiração. Devia ser suficiente para deter à nascença o impulso da comparação entre sofrimentos. O que faz de Auschwitz um problema para o pensamento sobre o mal não deve ser uma questão de grau, porque a este nível não há escalas.
(...) Isolar um factor na rede das atrocidades que constituíram os campos da morte é provavelmente enganador. Em vez de perguntarmos porque produziu este acontecimento em particular uma sensação única de devastação, que anuncia o fim violento de uma era, devíamos olhar mais cautelosamente para as fontes conceptuais que foram destruídas."
(Neiman, Susan, O mal no pensamento moderno, Gradiva, pp.286-287)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

sábado, 23 de abril de 2011

domingo, 17 de abril de 2011

Lente galáctica






















                                               
'All we need is here on Earth/ about every other day.'
(Smog, in "Running the Loping", 2005)
(imagem daqui

sábado, 16 de abril de 2011

Estados de espírito



"Se um extraterrestre alcançasse a Terra e quisesse saber qual a coisa que melhor define os humanos, diria que é isso: queremos sempre mais, seja do que for."

Michael Cunningham, entrevista de SFC, revista Ler, abril 2011, nº 101, p.50

quinta-feira, 14 de abril de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A qualidade das leis

Em alguns casos, e não serão poucos, é penoso citar uma determinada lei. E a forma como se citam as leis diz certamente muito sobre a qualidade do respectivo processo legislativo e, por consequência, sobre os próprios legisladores. Advindos de diferentes assembleias legislativas, aqui ficam dois exemplos:

Ex. 1:
"Currículos aprovados pelo Decreto-Lei n.º74/2004, de 26 de Março rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio alterado pelo Decreto -Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de rectificação n.º 23/2006, de 7 de Abril e alterado pelo Decreto-Lei n.º 272/2007 de 26 de Julho"

Ex. 2:
"Artigo x do Estatuto da Carreira Docente, aprovado pelo Decreto Legislativo Regional nº 21/2007/A, de 30 de Abril, alterado e republicado pelo Decreto Legislativo Regional nº4/2009/A, de 20 de Abril, alterado e republicado pelo Decreto Legislativo Regional nº11/2009/A, de 21 de Julho..."   
(LFB)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Deus, por que tem que existir toda esta crueldade?

Este diário é certamente uma das descrições mais pungentes feitas por uma testemunha e vítima dos horrores perpetrados pelos nazis no gueto de Varsóvia. A autora era uma adolescente quando o escreveu, o que lhe permitia ter já uma percepção afinada  da realidade. A mãe de Mary Berg era americana de nascimento o que, apesar de não ter impedido que passassem  pelas misérias que os outros judeus passaram no gueto, acabou por as salvar. 
A citação que se segue é retirada de um dos últimos capítulos, quando elas já se encontram em França, na estância de Vittel, transformada em campo de refugiados, e dá bem conta de alguns dos dilemas morais que assolavam a mente dos sobreviventes.  

"Nós, que fomos resgatados do gueto, temos vergonha de olhar uns para os outros. Tínhamos nós o direito de nos salvarmos? Por que é tudo tão bonito nesta parte do mundo? Aqui tudo cheira a sol e a flores, e lá - lá só há sangue, o sangue do meu próprio povo. Deus, por que tem que existir toda esta crueldade? Estou envergonhada. Aqui estou eu, respirando ar fresco, e lá o meu povo está sufocando em gás e perecendo em chamas, queimado vivo. Porquê?

Berg, Mary, The Diary of Mary Berg - Growing up in the Warsaw Ghetto, Oneworld, 2009, p. 222, tr. do excerto LFB)