quinta-feira, 31 de março de 2011

Cérebro e leitura

De acordo com vários estudos imagiológicos, não há diferenças de activação cerebral durante a leitura entre pessoas cegas (que lêem Braille) e leitores normais. Estes resultados desafiam a visão tradicional do cérebro como um conjunto de regiões, cada qual especializada no processamento de apenas um tipo de informação sensorial.
Segundo Amir Ameli*,  "o cérebro não é uma máquina sensorial, apesar de assim nos parecer com frequência; é sim um processador de tarefas; cada área desempenha uma determinada função, independentemente da modalidade sensorial do input."
Contrariamente a outras tarefas cerebrais, a leitura é um invenção recente (com cerca de 5400 anos) e o Braille tem menos de 200 anos. "Do ponto de vista da evolução, não decorreu tempo suficiente para que se tenha desenvolvido um módulo cerebral dedicado à leitura", explicou ainda.
(Ler mais aqui.)

* investigador principal; Hebrew University of Jerusalem. 
(tr. DO)
 

quarta-feira, 30 de março de 2011

o canto primevo

Honoris Lula

 












Sempre se gabou de não gostar de livros: ler "dá sono". 
Recebeu hoje o doutoramento honoris causa pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. 
Não há, felizmente, notícia de que tenha adormecido ao ler o seu discurso.
(DO)

Xadrez na Escola



Uma forma barata e divertida de estimular as capacidades de concentração, antecipação e pensamento crítico das crianças com benefícios vários, nomeadamente, no que toca à matemática e à leitura.
Ao que parece, o xadrez faz parte do currículo escolar de cerca de 30 países.

"Por vezes esquecemos que as crianças do segundo e terceiro anos de escolaridade gostam muito de desafios e de pensar que são inteligentes." (Wendi Fischer, directora do programa First Move, implementado em 27 Estados norte-americanos).
(DO)

terça-feira, 29 de março de 2011

Quando precisar de dar uma lição de psicologia social - grupos sociais, atitudes, comportamentos, dissonância cognitiva, estereótipos, discriminação, preconceitos, primeiras impressões, expectativas, estatutos e papéis, atracção, agressão, cooperação, conflitos e sua resolução e etc- sem ter que ser a 'encher chouriços' veja este filme. O  recorte aqui ao lado é o momento em que tudo se decide, mas isto só se descobre vendo o filme segunda vez.

Um excerto, para aguçar o apetite, já lá para o meio do filme:

Que conceito científico poderia melhorar o nosso funcionamento cognitivo?

Uma pergunta de Steven Pinker.
Até ao momento,  164 respostas publicadas aqui.

[original: What scientific concept would improve everybody's cognitive toolkit?]

segunda-feira, 28 de março de 2011

George Steiner

Já há 60 ou 70 anos que os jovens não lêem. Lembre-se de que os jovens já não lêem livros, lêem sms, livros de BD, resumos no Kindle: O Hamlet em 25 palavras, o Lear em 50 palavras. Os jovens estão impacientes, estão zangados, muito zangados com uma civilização, uma sociedade, que não lhes está a dar a esperança socioeconómica de que necessitam. (…) Para ler seriamente é preciso silêncio. Não ponha música, tire a rádio e a televisão do quarto. Tem de saber viver, e conviver, com o silêncio. (Cada vez menos jovens querem viver com o silêncio. Na realidade, têm-lhe medo. O silêncio tornou-se, de resto, muito caro. (…) Vivemos num inferno de ruído constante.) Tem de estar preparado para - e não riam de mim - saber passagens de cor. Não é por acaso que «coração» em latim é «cor». Ninguém nos pode tirar nunca o que sabemos de cor. (…) A partir do momento em que sabemos um poema de cor, algumas poucas linhas, ele começa a viver dentro de nós. Em terceiro lugar, precisa de ter alguma privacidade. (…) Actualmente, a privacidade é o inimigo nº1 de todo o jovem. Não só se confessa tudo a toda a gente, como é imperativo que o façamos imediatamente. Ninguém guarda a experiência, qualquer que ela seja, só para si. Então, três condições: silêncio, aprender de cor e privacidade. De outra forma é impossível viver uma grande obra."

Entrevista de Beata Cieszynska e José Eduardo Franco a George Steiner,revista Ler, número 100, Março 2011, p. 31

domingo, 20 de março de 2011

Tempo, consciência e (ânsia de) conhecimento

"Era possível que houvesse excepções, era possível que alguns pacientes ocupassem as horas de repouso com determinada leitura séria e intelectual, com o estudo de certa matéria útil e meritória, pelo menos com o objectivo de não perderem a ligação com a vida da planície ou de concederem um pouco de valor e de profundidade ao tempo, de modo a que este não se tornasse apenas tempo e nada mais.
(...)

A consciência de si era, portanto, uma mera função da matéria transformada em vida e, a um nível mais elevado, esta função voltava-se contra o seu próprio portador, tornando-se o desejo de conhecer e de explicar o fenómeno que a produzia, um desejo de vida, ao mesmo tempo auspicioso e desesperado, de se conhecer a si mesma, um mexer e remexer da natureza em si própria, anseio inglório em última análise, já que a natureza não pode reduzir-se a conhecimento e a vida não pode, por mais que se queira, perscrutar-se a si mesma."

Mann, T. (2009). A Montanha Mágica. (tr. G.L. Encarnação). Lisboa: Dom Quixote, pp. 310; 311.

sábado, 19 de março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

Cabragerme

Biscoitos, 14/03/11. Via telemóvel.
(DO)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Violência

Relato de um utilizador de drogas: "Outro dia fui eu quem foi parar à esquadra! Não me viram todo inchado? Levei um enfardamento. Eu estava no bairro S. a vender umas peças, mas já só tinha um pacote para mim. Tinha no bolso 47.5 euros (...). Um dos polícias veio ter comigo e disse-me 'Ei, tu aí, seu monte de esterco! Andas a vender? Espera aí que eu já te vou foder!' Empurraram-me contra a parede, ao lado do café e obrigaram-me a tirar a roupa toda. Até as cuecas tive de baixar. Não encontraram nada. Eu tinha metido o pacote debaixo da língua. Eles ficaram furiosos, deram-me um soco no estômago e foram ter com outros" (diário de campo, 3. 2. 09).

Relato de um técnico de equipa de rua: "Levavam-nos para os calabouços e davam-lhes cada coça! Quando os utentes tomavam banho lá no centro de apoio eu vi cada coisa! Eles ficavam com o corpo todo marcado. Muitas vezes vi alguns que nem conseguiam andar, punham-nos lá de pé e com o bastão pisavam-lhes as unhas dos pés todas! (...) Ah! Nós presenciamos muitas vezes violência policial. Eles evitavam bater quando estávamos ao pé deles, mas mal nós saíamos, era um vê-se-te-avias! Por isso, muitas vezes ficávamos ao pé deles quando vinha a polícia. E muitos vinham ter connosco!"

A violência policial não deve, contudo, ser isolada (...). [A violência] apresenta-se de várias formas e é exercida sobre vários actores: de utilizadores de drogas contra a polícia, da polícia contra eles, de grupos de jovens contra toxicodependentes, de moradores contra vizinhos... Os junkies que são presença diária na cena drug de rua aparecem como alvo preferencial: são agredidos pelas crianças, pelos dealers, pelos polícias. Configuram-se como perfeitos bodes expiatórios: enfraquecidos, sem voz e sem ninguém que os defenda. "Uma vez os putos pediram-me um cigarro; como não tinha atiraram-me pela ribanceira abaixo. Fodi as costas todas." (Consumidor, registos da equipa de rua, 24.0.06) (...).

Fernandes, L. & Neves, T. (2010). "Controlo da marginalidade, violência estrutural e vitimações colectivas". in Machado, C. (org.). Novas Formas de vitimação criminal. Braga: Psiquilíbrios Edições, pp. ??

terça-feira, 15 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Como encaixar o belo e o catastrófico no mesmo dia? É possível à arte permanecer sublime?
(DO)

sexta-feira, 11 de março de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011