
quarta-feira, 9 de março de 2011
Plâncton Irlandês

terça-feira, 8 de março de 2011
No dia internacional da mulher,
Este novo instrumento recorre ao tipo de luz utilizada na leitura de códigos de barras nos supermercados e fá-la incidir lateralmente na amostra em estudo. (nos microscópios tradicionais incide perpendiculamente)
Betzig, um dos investigadores envolvidos: "um dos principais objectivos dos biólogos é perceber o que rege os processos moleculares intracelulares. Se se pretende compreender as regras de um jogo, é melhor ver um filme com pessoas a jogar do que olhar para as fotos do jogo."
segunda-feira, 7 de março de 2011
"Luta é alegria." Como?
Bem feita, a sátira desfaz parte do tecido, atraindo para ele vontade de análise.
Mal feita, é como espetar a agulha no dedo -- o sangue escorre e o tecido persiste, podre e intacto.
(DO)
O Nariz

"O coitado do Kovaliov por pouco não enlouqueceu. Não sabia o que pensar de acontecimento tão estranho. Realmente, como era possível a um nariz que ainda ontem fazia parte dele e não andava a pé nem de coche vestir uniforme?"
(originalmente publicado em 1836)
Imagem retirada daqui.
domingo, 6 de março de 2011
Hans Rosling: Deixem que os meus dados mudem a vossa mentalidade
Mais uma vez, as dicotomias não servem a realidade.
(DO)
sábado, 5 de março de 2011
Triste Germe
(Ler mais aqui)
"Activismo digital"
A propósito do uso destas estratégias pelo Tea Party, frequentemente assentes na instigação do medo (de perder direitos), o documentário da msnbc: Rise of the new right.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Perceber não é uma actividade para lentos,
é urgente.
Nascemos: e quase nos afogamos; e perceber é tentar
nadar até à margem seca.
Não existe margem seca, dirá o senhor Shankra,
mas que sabemos nós?
Somos humanos: estamos encostados a hábitos
que nos fazem sentir imortais. Enganamo-nos, portanto.
Estamos vivos, levantamos a cabeça: cortam-nos a cabeça.
Eis tudo.
"
Tavares, Gonçalo, M., Uma viagem à Índia, Caminho, 2010, p.355.
quarta-feira, 2 de março de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
“Teodiceia – Onde estava Deus? Onde estava o homem?
O holocausto coloca, de forma nítida, sérias questões à credibilidade da religião e do humanismo. A teologia judaica ultra-ortodoxa justifica o holocausto como um acto de Deus, como um castigo por causa dos pecados cometidos pelo povo Judeu contra o seu Deus. FIica por explicar que as crianças tenham sido punidas pelos pecados dos seus pais – uma contradição nos ensinamentos do judaísmo – e que milhões de judeus devotos tenham sofrido pelas transgressões dos outros. Esta perspectiva, ainda que popular entre os ortodoxos radicais, é rejeitada pela maioria dos investigadores.Outro ponto de vista judeu (Rabi Eliezer Berkowitz) vê a contradição entre o livre-arbítrio e a constante presença de Deus como uma possível explicação para a retirada de Deus da sua própria criação (o “Esconder a Face”). Elie Wiesel sente-se dividido perante a impossibilidade da presença de Deus e a sua ausência de Auschwitz. Emil Fackenheim, numa série de análises penetrantes, aceita a presença de Deus na história, mas limita-a de acordo com a vontade divina. O surgimento de Israel no mundo do pós-holocausto é um sinal de esperança no retorno à presença de Deus, e a ordem resultante de Auschwitz é a preservarção do povo judeu. Richard Rubenstein vê o holocausto como uma ferramenta usada pelas forças do mal da sociedade para eliminar populações supérfluas num mundo frio e desprovido da presença Divina. Alexander Donat retira conclusões ateístas: Um Deus que permite - pela sua presença ou pela sua ausência - o assassinato de milhões de crianças inocentes é um Satanás e, por conseguinte, não pode existir.
A credibilidade do Cristianismo, na esteira do Holocausto, tem sido questionada, entre outros, por Franklin H. Littell e A. Roy Eckardt. Como pode o assassinato do povo escolhido (Messiah’s people), no meio da Cristandade e por apóstatas baptizados, ser justificado? Os mártires da Luta da Igreja contra o nazismo e os Justos Entre as Nações são apenas uma nota de rodapé ao Holocausto que, para alguns teólogos Cristãos é a principal crise teológica da presente geração. Do lado católico, John Pawlikowski, Rosemary Ruether entre outros, lutam com o problema da responsabilidade Cristã pelo Holocausto.
Littell, Eckardt, Pawlikowski e eu, temos sugerido a implementação um “sistema de alarme antecipado” que sirva para detectar, na democracia Ocidental, tendências anti-democráticas; sinais de racismo, de intolerância, de preconceito, sinais esses que conduzem ao genocídio. O Holocausto tornar-se-ia assim um sinal tremendo de aviso; um tema a invocar quando se quer evitar ser ou um perpetrador ou uma vítima. Tornou-se, entretanto, dolorosamente evidente que, de facto, não é necessário nenhum sinal de aviso prévio, uma vez que em todos os genocídios recentes, ou em acontecimentos similares, o aviso tem sido dado, bastante tempo antes de as tragédias acontecerem, pelos observadores, pelos mass media, pelos militares e pelos políticos. O que parece ser necessário não são avisos prévios - que têm existido - mas acção preventiva atempada e realizada por uma comunidade internacional ciente das suas responsabilidades.”
Bauer é um dos maiores investigadores do tema e um bom retrato da sua longa vida pode ser lido aqui.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
.JPEG mental: como o cérebro comprime informação visual
Neste artigo, Connor e colaboradores* apresentam sucintamente a sua investigação sobre a forma como o nosso cérebro lida com informação visual.Aqui fica uma tradução (quase) integral:
"A maioria das pessoas conhece a ideia de compressão de imagens por computador. As extensões como '.jpeg' ou .'png' significam que milhões de valores de pixeis foram comprimidos para um formato mais eficiente (...), sem perda aparente de qualidade de imagem. Se assim não fosse, o ficheiro ocuparia demasiado espaço e a sua circulação nas redes informáticas seria inviável.
O cérebro enfrenta um problema similar. As células da retina sensíveis à luz [cones e bastonetes] captam imagens na ordem do megapixel. Ora, o cérebro não tem capacidade de transmissão ou de memória para lidar com imagens dessa magnitude ao longo da vida. Assim, deverá seleccionar apenas a informação necessária à compreensão do mundo visual.
(...)
Os investigadores descobriram que as células da área V4, pertencentes ao córtice visual primário e implicadas numa fase intermédia do processamento de objectos, (...) são selectivamente activadas por contornos fortemente curvilíneos ou angulares e respondem muito menos a linhas direitas ou ligeiramente curvadas.
(...) curvas muito acentuadas são relativamente raras na natureza comparativamente às linhas direitas ou ligeiramente curvadas. Responder às características raras e não às comuns é automaticamente económico.
(...)
A psicologia experimental tem demonstrado que conseguimos reconhecer objectos cujas linhas direitas foram apagados. Todavia, eliminar ângulos e outras regiões muito curvadas dificulta o reconhecimento. (...)
São mecanismos cerebrais como o sistema de codificação descrito por Connor e col. que nos ajudam a explicar porque somos génios em termos visuais.
Os computadores podem ser melhores do que nós na matemática e no xadrez, mas não conseguem igualar a nossa capacidade de discriminar, reconhecer, compreender, memorizar e manipular os objectos que compõem o mundo. Esta capacidade humana fulcral assenta, em parte, na síntese da informação visual, preparando-a para tratamentos posteriores. Para já, o formato .brain parece ser o melhor algoritmo de compressão do mercado."
* investigadores do Zanvyl Jrieger Mind/Brain Institute, Johns Hopkins University
(imagem retirada daqui)
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
auto-retrato, Thomas Gainsborough
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Estado Novo e desvio
" 'Politicamente, tudo o que não se vê, não é.'
A afirmação é de Salazar, e podia aplicar-se à intencionalidade do modelo carcerário desenvolvido a partir dos anos 30 pelo Estado Novo para 'internar' o 'chulo' o homossexual, o vadio, a prostituta, a criança em 'risco moral', o louco ou doente mental, o mendigo, alguns dos tipos sociais mitificados pelo regime na figura socialmente inútil e ameaçadoramente subversiva do 'vadio' ou 'indigente'. Estes não têm de corresponder à realidade, são antes uma amálgama das marginalidades e condutas consideradas desviantes pela moral do regime, na verdade, na sua maioria, aquilo a que hoje chamaríamos, fenómenos de exclusão social.
Quem fosse considerado como integrante destas categorias e personalidades desadequadas à ordem social, arriscava a prisão por longos períodos, frequentemente indeterminados, com o fim professado de 'reeducação' através da disciplina e do trabalho, naturalmente um fim sem sucesso, como reconhecido pelos próprios responsáveis destas instituições face às elevadas taxas de 'reincidência'."
Vitorino, S. (2007). "Actos contra a natureza": a repressão social, cultural e policial da homossexualidade no Estado Novo. Disponível aqui.

