sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A informação (não?) conhece limites
Deslumbrante a quantidade de informação que a tecnologia nos permite alojar e manipular. A altíssima velocidade!
"Se cada estrela for um bit de informação, temos uma galáxia de informação por pessoa. Isto equivale a 315 vezes o total de grãos de areia à face da Terra. Ainda assim, representa menos de 1% da informação contida em todas as moléculas de ADN de um único ser humano."
"Entre 1986 e 2007 (...) a capacidade de computação a nível mundial aumentou 58% ao ano, a uma velocidade 10 vezes superior ao crescimento do PIB norte-americano."
"Estes números, apesar de impressionantes, são ínfimos face à ordem de grandeza com que a Natureza manipula informação.(...) Quando comparados com ela, não passamos de simples aprendizes. No entanto, a dimensão do mundo natural permanece constante, ao passo que a capacidade tecnológica de processamento de informação está a aumentar exponencialmente."
"Entre 1986 e 2007 (...) a capacidade de computação a nível mundial aumentou 58% ao ano, a uma velocidade 10 vezes superior ao crescimento do PIB norte-americano."
"Estes números, apesar de impressionantes, são ínfimos face à ordem de grandeza com que a Natureza manipula informação.(...) Quando comparados com ela, não passamos de simples aprendizes. No entanto, a dimensão do mundo natural permanece constante, ao passo que a capacidade tecnológica de processamento de informação está a aumentar exponencialmente."
(Ler mais aqui; Tr. e adapt. DO)
"Deixem as Bibliotecas em paz. Vocês não compreendem o seu valor."
(ainda, porque não é o voluntariado solução para assegurar o seu funcionamento e o impacto destrutivo da 'lógica de mercado' nas actividades criativas)
(DO)
O artigo é mesmo muito bom. Mais cedo ou mais tarde esse tipo de argumentação - fechar bibliotecas por razões economicistas - vai chegar às bibliotecas portuguesas e açorianas. E se ainda não chegou é porque muitas das bibliotecas terão perdido quase todo o seu poder e a sua vontade de surpreender e de ajudar a despertar as mentes para novas formas de ver o mundo. Ao ler o artigo revi-me no encontro com as prateleiras de livros e com as bibliotecas itinerantes, há muito extintas, da F.C.G.. A actual ministra da cultura, Gabriela Canavilhas, aquando da sua breve passagem pela secretaria da cultura dos Açores, ainda atirou para os jornais (feliz forma de propaganda) a ideia de que ia recriar as bibliotecas itinerantes. Mas isso depressa caiu no esquecimento.
(LFB)
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Aharon Appelfeld
"...Ele levantou a sua mão para se despedir. Não tivesse sido esse gesto, e eu duvido que o tivesse morto. Mas esse gesto, mais do qualquer outra coisa que ele tenha dito, recordou-me a camaradagem de Nachtigel para com
os seus jovens subordinados no campo, e o cuidado paternal com que ele os banhava. Tratava-os com se fosse um pai e, em pouco tempo, tornava-os tão cruéis quanto ele próprio. Andando, o velho afastava-se. Abri a mala, tirei a pistola e apontei directamente para as suas costas. O primeiro tiro atingiu-o mas ele não colapsou. O segundo tiro atirou-o ao chão e ele caiu de braços estendidos. Embrulhei de novo a pistola e voltei a colocá-la na mala. Rapidamente saí dali para fora."
A história contada neste livro é a de um sobrevivente dos campos de concentração que deambula de comboio pela Áustria do pós-guerra em busca do nazi que assassinou os seus pais, um tal de Nachtigel.
O autor do livro vive em Israel e é ele próprio um sobrevivente dos campos de concentração. A sua escrita, a julgar pelas traduções inglesas (em português que se saiba não há nada traduzido), é escorreita, límpida e de uma simplicidade deslumbrante.
Para além de ter escrito muitos livros de ficção, é também autor de um magnífico livro
autobiográfico intitulado A table for One - Under the Light of Jerusalem, escrito originalmente em inglês. Appelfeld conta aqui como muitos dos seus livros foram criados nos cafés entretanto desaparecidos, ou transformados, de Jerusalém.
Sobre os cafés como lugar de escrita:
"O que é que um café tem que o torna um lugar tão especial para uma pessoa se concentrar? Talvez aqui tenha que ser dito que hoje em dia a maioria dos cafés não são cafés, antes grandes espaços atafulhados de pessoas e invadidos por música violenta. Não espere encontrar aí tranquilidade alguma, ou algo misterioso, ou aquela conexão dissimulada com as pessoas que nos rodeiam. Tornaram-se apenas num ponto de encontro, de transacção, um lugar onde impacientemente se espera. Este tipo de cafés não é convidativo, nem foram concebidos para uma pessoa se sentar prolongadamente. Gostaríamos de sair dali o mais depressa possível. Os cafés verdadeiros são convidativos, tentam-nos com café fresco e um bolo acabado de sair do forno; oferecem-nos a oportunidade de passar uma ou duas preciosas horas connosco próprios"
os seus jovens subordinados no campo, e o cuidado paternal com que ele os banhava. Tratava-os com se fosse um pai e, em pouco tempo, tornava-os tão cruéis quanto ele próprio. Andando, o velho afastava-se. Abri a mala, tirei a pistola e apontei directamente para as suas costas. O primeiro tiro atingiu-o mas ele não colapsou. O segundo tiro atirou-o ao chão e ele caiu de braços estendidos. Embrulhei de novo a pistola e voltei a colocá-la na mala. Rapidamente saí dali para fora."
Appelfeld, Aharon, The Iron Tracks, Schockem Books, 1998 (tr. J.M.G.), p 179.
A história contada neste livro é a de um sobrevivente dos campos de concentração que deambula de comboio pela Áustria do pós-guerra em busca do nazi que assassinou os seus pais, um tal de Nachtigel.
O autor do livro vive em Israel e é ele próprio um sobrevivente dos campos de concentração. A sua escrita, a julgar pelas traduções inglesas (em português que se saiba não há nada traduzido), é escorreita, límpida e de uma simplicidade deslumbrante.
Para além de ter escrito muitos livros de ficção, é também autor de um magnífico livro
autobiográfico intitulado A table for One - Under the Light of Jerusalem, escrito originalmente em inglês. Appelfeld conta aqui como muitos dos seus livros foram criados nos cafés entretanto desaparecidos, ou transformados, de Jerusalém.Sobre os cafés como lugar de escrita:
"O que é que um café tem que o torna um lugar tão especial para uma pessoa se concentrar? Talvez aqui tenha que ser dito que hoje em dia a maioria dos cafés não são cafés, antes grandes espaços atafulhados de pessoas e invadidos por música violenta. Não espere encontrar aí tranquilidade alguma, ou algo misterioso, ou aquela conexão dissimulada com as pessoas que nos rodeiam. Tornaram-se apenas num ponto de encontro, de transacção, um lugar onde impacientemente se espera. Este tipo de cafés não é convidativo, nem foram concebidos para uma pessoa se sentar prolongadamente. Gostaríamos de sair dali o mais depressa possível. Os cafés verdadeiros são convidativos, tentam-nos com café fresco e um bolo acabado de sair do forno; oferecem-nos a oportunidade de passar uma ou duas preciosas horas connosco próprios"
Apellfeld, A table for One, Toby Press, 2007, p. 8.
(LFB)
(LFB)
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
"A ideia de detenção num espaço fechado como forma humana de acção punitiva e correctiva parece ter surgido nos séculos treze e catorze - numa altura em que o espaço pictórico e perspectivado estava a surgir no mundo Ocidental. A ideia de encarceramento, como forma de restrição e como meio de classificação, não funciona tão bem no nosso mundo electrónico. O novo sentimento que as pessoas têm sobre a culpa não é algo que possa ser atribuído de forma privada a um indivíduo, mas é, pelo contrário, algo partilhado, de forma misteriosa, por todos. Este sentimento parece estar a surgir no nosso meio. Nas sociedades tribais, quando algo hediondo acontece, dizem-nos que é uma reacção normal que algumas pessoas, em vez de culparem alguém por ter feito algo terrível, digam: "Que horrível que deve ser sentir-se assim". Este sentimento é um aspecto da nova cultura de massas em direcção à qual estamos a caminhar - um mundo de total envolvimento no qual toda a gente está profundamente envolvida com toda a gente e onde ninguém consegue já imaginar de facto o que pode ser a culpa privada."Marshall Mc Luhan & Quentin fiore, The Medium is the Massage - An Inventory of Effects, (1ª edição 1967), Gingko Pres, 2001, p, 61. (Tr. LFB)
[O livro é uma colagem de imagem (a mão e a grade são a página 60 ) e texto (é toda a página 61) - quase como uma BD - que, por toda a sua capacidade de invenção e de antecipação de ideias, nos dá que pensar e que vale a pena ver nem que seja porque nos dizem que vendeu mais de uma milhão de cópias em todo o mundo!]
Crise nos anos 30
"A crise tudo explica e tudo justifica. Vende-se caro por causa da crise e vende-se barato por causa da crise. Pede-se esmola por via da crise e nega-se esmola por via da crise. Aumentam as rendas das casas devido à crise. Por causa da crise não se come, por via da crise não se bebe."
(Crónica do Diário de Notícias de Janeiro de 1933)
"Há uma palavra que se ajusta maravilhosamente à situação da quase totalidade das populações: Miséria. Só a boa índole, a mansidão e, diga-se a verdade, a profunda religião desta gente, torna possível que grandes proprietários, milionários, que gastam centenas de contos em automóveis e extravagâncias paguem 3$50 ou 4$00 por dia a um chefe de família. É absolutamente revoltante. E chegam a ter o desplante de se queixarem à polícia ou ao administrador do concelho quando um desgraçado rouba das suas imensas propriedades um molho de lenha!(...) Seguramente que três quartas partes da população vivem como ou pior que bichos. Trabalham de sol a sol (quando conseguem trabalhar) e vivem miseravelmente."
(Relatório do Governador Civil de Castelo Branco referente ao mês de Abril de 1935)
in Bastos, S.P. (1997). O Estado Novo e os seus vadios: contribuição para o estudo das identidades marginais e da sua repressão. Lisboa: Publicações Dom Quixote, pp.71-2.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Ah, criatividade e tecnologia pela Liberdade!
Perante as enormes dificuldades de acesso à Internet impostas pelo governo egípcio, eis uma solução criativa -- as vozes revoltosas continuarão a ecoar pelo mundo.
(DO)
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Há alturas em que é difícil resistir à visão de que certos assuntos [políticos] estão fora do alcance e compreensão das pessoas comuns. Todavia, temos visto precisamente pessoas comuns a desmantelarem, corajosamente, regimes aparentemente intocáveis.
Tansey, S. (2004). Politics: the basics (3rd ed.). London: Routledge, pp.1-2. (tr. e adapt. DO)
Obama e política das drogas
Estaremos perante o início do fim do paradigma proibicionista/repressivo?
(DO)
Corpo quente, Mente quente, Mundo quente
De acordo com este artigo, quando temos mais calor (por estarmos ao sol ou num quarto sobreaquecido) acreditamos mais no aquecimento global.
(DO)
A arte de bem adiantar, por Mariano Gago

Acabo de ouvir Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, dizer que não há atrasos na atribuição das bolsas de estudo e que o processo está mais adiantado que no ano passado. Pela primeira vez, todos os estudantes começaram a receber bolsa desde o início do ano lectivo.
Meia verdade.
De acordo com o artigo 14º do actual regulamento de atribuição de bolsas, "o valor da bolsa de estudo anual deve ser comunicado ao estudante num prazo máximo de 60 dias úteis após o início do ano lectivo". Durante o período de espera, o estudante deverá receber bolsa de igual valor à atribuída no ano anterior.
Ora, aos estudantes da Universidade do Porto não foi comunicado até à data qualquer resultado. O ano lectivo teve início a 13 de Setembro de 2010. Entretanto, a todos (dos mais aos menos carenciados) foi atribuído provisoriamente um adiantamento de bolsa no valor de 98, 70 euros/mês (o valor da bolsa mínima, cujo total anual cobre exactamente as propinas).
Imagine-se a situação do bolseiro verdadeiramente carenciado, que sempre recebeu o valor máximo (não sei precisar, mas corresponderá a mais do triplo do valor acima referido). Como terá sobrevivido durante 5 meses a receber o mínimo, sem data prevista para a publicação dos resultados e sabendo que a fórmula de cálculo mudou, pelo que haverá cortes (consequência da crise/"políticas de austeridade")?
Os Serviços de Acção Social da Universidade do Porto, no seguimento do trabalho reconhecidamente competente e aplaudido pelos estudantes, apresentam, ainda, na sua página o regulamento anteriormente em vigor (Março de 2007).
Que quererá isto dizer acerca do adiantamento do processo?
E o que pensar da insultuosa "meia verdade" do Ministro?
(DO)
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Vida e/ou Morte
"Dissociada da vida, a morte transforma-se em fantasma, em monstro ou em algo pior. Vista como força espiritual autónoma, a morte é extremamente devassa, podendo o seu magnetismo malévolo conduzir à mais abominável alienação do espírito humano."
Mann, T. (2009). A Montanha Mágica. (tr. G.L. Encarnação). Lisboa: Dom Quixote, pp. 229-30.
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